Opinião: Mulheres ganharam espaço no esporte no Brasil. Ainda não é suficiente

É inegável que as mulheres ganharam muito mais espaço no esporte do que tinham há algumas décadas. Várias modalidades antes dominadas por homens começam a ter uma presença feminina mais forte. Efeito semelhante pode ser visto na mídia esportiva, com a chegada de várias repórteres, editoras, apresentadoras que provam o óbvio: mulheres são tão competentes quanto os homens.

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No Brasil, talvez os esportes que mais representaram a imagem de “coisas de homem” sejam o futebol e as lutas. Pois foi neles que, nos últimos 10 anos, as mulheres mais mostraram seu valor e chegaram, no caso do futebol, até a eclipsar os homens.

Exemplo: a seleção brasileira feminina de futebol conseguiu chegar a duas finais olímpicas e uma de Copa do Mundo nos últimos 12 anos. No masculino, que recebe muito (e bota “muito” nisso) mais incentivo e dinheiro, nosso melhor resultado foi uma final olímpica e uma semifinal de Mundial na qual fomos eliminados em casa tomando um histórico 7 a 1 da Alemanha.

No mundo das lutas, convivemos hoje com conquistas como a medalha de bronze da brasileiro Adriana Araújo no boxe nas Olimpíadas de Londres, em 2012. Temos no MMA presenças notáveis, como Cláudia Gadelha, Bethe Correia, Jéssica “Bate-Estaca”, entre outras. Nos comentários do canal Combate, emissora em pay-per-view que transmite ao vivo todos os eventos do UFC, a comentarista Kyra Gracie marca presença com muita qualidade.

Mas isso ainda é pouco. Mesmo em esportes onde o preconceito é inverso, ou seja, considerados como “esportes de meninas”, há problemas. No vôlei, considerando todos os clubes da principal competição nacional, a Superliga, existe apenas uma treinadora. No Uniara, de Araraquara, a técnica Sandra Mara Leão ainda chama a atenção por uma ser uma minoria inexplicável.

As mulheres também conseguiram espaço na arbitragem do futebol, mas não é raro ouvir até de dirigentes de clubes, que deveriam prezar por um discurso respeitoso em um meio tão inflamável, que elas não deveriam participar apitando os jogos, mandando frases como “vá posar para a Playboy”.

Essas coisas todas são absurdas, mas servem para acender a luzinha de alerta: mesmo com tanto avanço, não é hora de achar que está tudo bem.

Foto: Getty Images



Editor do Torcedores.com, está no site desde julho de 2014. Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, já passou por UOL, Editora Abril e Rede Record. Participou da cobertura da Copa do Mundo de 2014, de dois Pans, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e do Rio 2016. Também colabora com o ONDDA, site "irmão" do Torcedores.com.