Opinião: Inter venceu, mas levou baile tático do Emelec-EQU. Situação geral preocupa

O Inter ganhou, saiu de campo ovacionado, com os três pontos no bolso, moral com a torcida e etc. Mas eu duvido, cá com meus botões, que a sensação dos jogadores e, principalmente do técnico Diego Aguirre, foi de alegria pelo resultado. Arrisco dizer que foi mais alívio do que qualquer coisa.

LEIA MAIS:
Inter vence Emelec-EQU na raça, com D’Alessandro como “técnico”; Assista aos gols
D’Alessandro vai de garçom a técnico em uma noite; Entenda

Foi impressionante o baile tático que o Inter levou ontem, dentro da sua própria casa. Os equatorianos, de certa forma ridicularizados por nunca terem ido longe em uma Libertadores, nem sequer terem vencido o Colorado na história, jogaram como um gigante das Américas, com muita calma, fazendo seu jogo, sem aquela correria típica de times sul-americanos sem muita qualidade técnica.

Se ainda duvida do que digo, analise bem os dois gols do Emelec-EQU: em ambos a jogada foi trabalhada com toda a calma do mundo, pelo meio da defesa gaúcha. O segundo gol, então, foi um descaso. Gol de treino. Mena, o autor do tento, “simplesmente” tocou para Bolaños e correu. Recebeu e só deu um tapa, tirando de Alisson.

Excetuando os gols e analisando o restante, a situação não muda nada. Logo no início do segundo tempo, o adversário teve duas chances claras de aumentar o placar e as desperdiçou. O Inter só conseguiu se encontrar de novo no jogo quando, ironicamente, “encontrou” o gol de empate, com Alex. Foi uma das únicas falhas organizacionais do Emelec-EQU, é bom que se diga.

Longe de mim dar uma de profeta do apocalipse, muito menos denegrir as aptidões do técnico Diego Aguirre. Inclusive, nem acho que o problema seja o técnico uruguaio. Mas que o futebol brasileiro ontem levou um baile do equatoriano, é fato. Ganhou o jogo, mas levou um baile.

É preocupante a falta de comprometimento tático dos times brasileiros. Não importa o técnico que se coloque lá, a toada parece sempre a mesma. Até quando as coisas dão certo, as jogadas armadas, tanto ofensivas, quanto defensivas, tem um quê de improviso, são escassas e antigas, facilmente anuladas por uma defesa bem postada ou um ataque mais entrosado.

A Libertadores acabou de começar e tem muita água pra rolar. O futebol brasileiro tem história e merece respeito. O Inter é bicampeão continental e jogar no Beira-Rio é sempre difícil. Tudo isso é verdade.

Assim como é que levamos uma goleada de 7, em plena Copa do Mundo, há menos de um ano. Assim como é que o alvirrubro gaúcho sofreu MUITO para ganhar do “freguês” Emelec-EQU. Assim como é que nenhum dos times mineiros, sensações da última temporada do futebol brasileiro, venceu um jogo sequer até aqui na Libertadores.

Verdade por verdade, fiquemos com um “derivado” dela: a realidade. A realidade é que estamos mal, muito mal. A chance de um fiasco tupiniquim coletivo na principal competição das Américas, pelo segundo ano seguido, é latente. E preocupante.

Foto: Getty Images



Tudo o que preciso é um papel e uma caneta. Apaixonado por esportes desde 1900 e bolinha: de futebol, basquete, tênis, rugby...