Feijão relata ofensas racistas durante partida história contra argentino

Feijão
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Alguns dias após a partida histórica de quase sete horas pela Copa Davis, o tenista brasileiro Feijão revelou que ouviu gritos de “Macaco” e “segura a banana”, vindos da torcida “hermana”.

“Eu ouvi “macaco”, no comecinho do jogo. Teve “segura a banana”… Óbvio que, por dentro, eu estava mordido. A vontade era de já parar o árbitro, mas ia tomar vaia, não ia dar pano para manga. É aquilo… macaco não precisa falar, já é racismo forte. Mas o resto é normal. Jogar fora de casa é isso mesmo”, disse Feijão em entrevista ao “Arena”.

Thomaz Belucci também sofreu com ofensas da torcida argentina com xingamentos, como “Bellucci se cagou” e “Bolucci” (conversão de “boludo”, xingamento em espanhol de cunho pejorativo, com Bellucci).

Os seguidos episódios irritaram a comissão técnica do Brasil, que reclamaram dos juízes de cadeira, por não terem dado advertências contra a Argentina por conta do comportamento da torcidam e por que o árbitro geral, Andrew Jarrett, não falava espanhol.

“Foi um dos pontos fracos do confronto. Foi uma escolha infeliz da ITF de não ter colocado pelo menos um árbitro que falasse a língua espanhola, que seria mais fácil para todo mundo. Eu acho que os europeus às vezes vêm para cá e não entendem bem o que está acontecendo. O nosso clima, a paixão da torcida é diferente. E eles não sabem reagir em relação a isso. Nesse caso nos prejudicou e atrapalhou um pouco. Em muitas ocasiões, eles não souberam administrar as questões de controlar a torcida, de ser mais enérgico. Toda hora que o Thomaz ia sacar era barulho, tinha assobio, toda hora tinha que parar. E hoje era jogo de uma torcida só, então era só contra um jogador. Tinha que ter uma conduta diferente. Nos outros dias era diferente. Nossa torcida era menor, mas fazia tanto barulho quanto a deles. Tinha que ser mais rígido hoje, é uma coisa lógica”, avaliou João Zwetsch, capitão brasileiro.

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