Como o esporte feminino tomou o protagonismo olímpico no Brasil

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Há exatos 20 anos, o Brasil se preparava para a disputa das Olimpíadas de Atlanta, que aconteceriam no ano seguinte, 1996. O esporte nacional ostentava poucos resultados em termos de conquistas, mas vinha crescendo em relação a um passado de pouco brilho. Todas as medalhas, porém, conquistadas por homens. Foram nove de ouro, 39 ao todo. As mulheres brasileiras, até então, tinham presença menor e nenhuma chegada ao pódio. Esse era o cenário do esporte feminino.

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20 anos depois, o Brasil se prepara para sediar os Jogos Olímpicos pela primeira vez na história. O Rio de Janeiro receberá a edição que também inaugura a era da América Latina nas Olimpíadas. Nas últimas duas edições, em Pequim e em Londres, o esporte nacional faturou três medalhas de ouro em cada uma delas. E algo em comum: duas por mulheres, e uma por homens. César Cielo, em 2008, e Arthur Zanetti, em 2012, formaram uma inédita minoria masculina no alto do pódio brasileiro.

Graças à evolução da seleção feminina de vôlei, bicampeã, e a desempenhos sensacionais como o de Maurren Maggi no salto em distância, em 2008, e o de Sarah Menezes no judô, em 2012, as mulheres ganharam o protagonismo no esporte olímpico brasileiro. Isso foi resultado de uma mentalidade de maior participação feminina em várias modalidades.

Como exemplo, a medalha de bronze conquistada por Adriana Araújo no boxe em Londres-2012. Uma modalidade que por muitos anos foi considerada como exclusivamente masculina e acabou rendendo uma importante conquista para essa atleta. No Pentatlo Moderno, também pouco conhecido pela população, Yane Marques foi ao pódio há três anos e surpreendeu o Brasil no último dia dos Jogos.

Esses esportes se juntam a outros que vêm rendendo frutos desde 1996 às mulheres nas Olimpíadas, como o vôlei de praia. O futebol feminino não chegou ao tão sonhado ouro, mas ficou com duas honrosas pratas em 2004 e 2008, despertando o país para a necessidade de maior apoio à modalidade. Hoje, apesar de todas as dificuldades financeiras, o futebol feminino pode, pelo menos, contar com competições nacionais, como a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro, algo que não existia na época do primeiro vice, em Atenas.

Na ginástica artística, o ouro veio com Zanetti, mas por anos as mulheres foram destaques na modalidade. Por questão de detalhes, erros cometidos nos momentos finais de uma apresentação, Daiane dos Santos, campeã mundial, não levou uma medalha em Atenas-2004. Ninguém tira, entretanto, o brilhantismo de suas conquistas fora daquele evento.

Também ainda sem medalhas olímpicas, o handebol brasileiro é o atual campeão mundial em sua versão feminina. Chega como fonte de esperança nacional para os Jogos do Rio-2016, tendo ainda que defender o título em nova edição do Mundial este ano.

Para ser um dia uma potência olímpica, o Brasil precisa fazer uma série de mudanças estruturais que vão desde o modo como a Educação e o Esporte são vistos pelos governos e pela sociedade. Mas é fundamental que haja espaço para o crescimento e participação de mulheres em todas as modalidades. Não há competição entre homens e mulheres por mais espaço. Os brasileiros desejam ver cada vez mais de nossos meninos e meninas vencedores e vencedoras.

O incentivo à prática de esportes e o fim do preconceito contra homens e mulheres em diversas modalidades tidas como “de meninos” ou “de meninas” serão aliados fundamentais para melhorar os resultados nos próximos anos. E, quem sabe, daqui a 20 anos não estejamos comemorando pelo menos umas 15 medalhas masculinas e outras 15 femininas em uma edição olímpica? O trabalho começa agora.



Editor do Torcedores.com, está no site desde julho de 2014. Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, já passou por UOL, Editora Abril e Rede Record. Participou da cobertura da Copa do Mundo de 2014, de dois Pans, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e do Rio 2016. Também colabora com o ONDDA, site "irmão" do Torcedores.com.