Opinião: Vamos olhar para a base?

Seleção

Parece brincadeira, mas muitos de todos os problemas do Brasil, para ser ao menos melhorados satisfatoriamente, estão na base, no começo de tudo. É como uma casa: se a mesa tem uma base sólida e forte, vai durar por muitos anos.

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No esporte também não é diferente. Depois dos famigerados sete gols da Alemanha, que ecoam até hoje em nossas mentes e corações apaixonados (alguns sedentos por vingança), a expressão “investir na base” voltou aos holofotes.

De certa forma, no futebol, dinheiro não falta para este investimento. Muitos especialistas falam que está se cobrando demais dos jovens para que eles possam se transformar em produto o quanto antes, pois se isso não acontecer, há um grande risco de o dinheiro investido não render reais frutos aos clubes.

Mas hoje quero falar da base além das quatro linhas do gramado, seja ele vivo ou acarpetado. Estamos próximo da realização dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016 e será que vamos fazer uma boa apresentação?
Na minha opinião, não faremos nada excepcional, nada além da média do que já fizemos nas ultimas edições deste grandioso evento.

Poderemos fazer mais? Sim, mas se investirmos na base agora, vamos colher melhores frutos em 2020 e 2024. Mas já não existe um investimento? Em partes o dinheiro investido não é pouco, o último orçamento do Ministério do Esportes era de 4 Bilhões de Reais, sendo que 60% aproximadamente para o alto rendimento. Agora, todo esse investimento público esta sendo planejado de forma correta? Ao meu ver, não.

Investir na base é muito mais barato que investir no atleta formado. Obedecendo a lógica de que o Estado nos deve suprir com o básico, ter programas consistentes e duradouros. Envolver muitas crianças. Supondo que a cada 100 crianças que começam a nadar na infância, uma tem condições de na sua fase adulta disputar uma medalha olímpica, vamos investir em 1000 crianças para multiplicar as nossas chances por 10!

Os Estados Unidos são recordistas de medalhas, pois investem muito no surgimento de muitos atletas em esporte individuais e nossos melhores resultados são sempre nos esportes coletivos, que rendem medalhas a todos os atletas, mas apenas uma na contagem geral do quadro.

Depois de formado, a fase de desenvolvimento e a fase de alto-rendimento deve ter maior estimulo ao patrocínio, reduzindo burocracia e oferecendo incentivos fiscais, assim como nas produções áudio-visuais.

Ser uma potencia olímpica não significa apenas se uma propaganda comunista como muitos ainda pensam, ser uma potencia olímpica significa dar mais oportunidades para profissionais do esporte e este é um mercado que movimenta bilhões, quiçá, trilhões todos os anos.

Crédito da foto: Getty Images