Opinião: os estaduais servem de parâmetro para os clubes grandes?

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Todo início de ano é a mesma coisa: os campeonatos estaduais começam, alguns torcedores reclamam, enquanto outros aprovam. Os clubes grandes choram a falta de uma pré-temporada maior, enquanto os chamados “pequenos” chegam “com o pé na porta” após treinarem desde meados de setembro do ano anterior. Até mesmo as rendas dos jogos “esvaziados” são contestadas neste início de ano. E aí, os estaduais servem de parâmetro para os grandes clubes brasileiros?

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Na visão deste humilde jornalista, não.

Há muito os campeonatos estaduais deixaram de ser um atrativo para os grandes clubes brasileiros e suas imensas torcidas. O culto à Taça Libertadores da América, inclusive, serve não apenas para desvalorizar as competições regionais, como até mesmo interfere na valorização do Campeonato Brasileiro, por exemplo.

Atire a primeira pedra aquele torcedor que nunca iniciou um Brasileirão pensando primeiro na vaga para a competição internacional do que ser campeão brasileiro. O mesmo acontece com a Copa do Brasil e com a Copa Sulamericana, que cada vez mais se resumem a ceder uma vaga para a Libertadores.

Mas no caso dos estaduais, o buraco é mais embaixo.

Além de não darem vaga para lugar algum, as competições ocorrem no início de temporada, fase esta em que os clubes grandes ainda estão formando suas equipes, contratando jogadores e entrosando os que lá estão. Vide o Palmeiras e seus 19 reforços, por exemplo.

Muito me preocupa, contudo, a maioria dos torcedores saberem de tudo isso e ainda assim se iludirem com o “bom momento” de seus respectivos clubes do coração neste início de ano. As postagens destacadas no “Leia Mais” dessa matéria não foram escolhidas por acaso.

O Botafogo diz estar em “grande fase” ao liderar o Cariocão. Até mesmo foi o clube que mais conseguiu sócio-torcedores no último domingo. O Santos, por sua vez, também comemora o bom início de temporada no Paulistão. Robinho está sendo “endeusado” por ter feito dois gols e participado de outro na última vitória santista. Por último, mas não menos importante, está o alvoroço em volta da boa atuação de Leandro Damião na vitória contra o Boa Esporte no Mineirão, após o centroavante ter anotado dois gols.

Jogos contra o Nova Iguaçu (não conseguiu se firmar na 4ª divisão nacional), Portuguesa (3ª divisão nacional) e Boa Esporte (2ª divisão nacional) devem mesmo ser considerados?

Além dos adversários frágeis, o que muitos esquecem é que o Botafogo foi vergonhosamente rebaixado na principal competição brasileira em 2014, o Santos empolgou também no Paulistão de 2014 para que no fim fosse eliminado pelo Ituano e o Cruzeiro jogou contra o Boa Esporte, com um time completamente em formação após a saída de seus principais jogadores.

Coloco ainda nessa roda o Palmeiras. O time de Palestra Itália contratou 19 jogadores, lidera seu grupo no Paulistão e já empolga a torcida que se aproxima de 100 mil adeptos ao Avanti. Vale ressaltar que, no ano passado, assim como o Peixe, o Verdão também empolgou no estadual – mas também foi eliminado pelo Ituano.

Estamos falando de Paulistão, Cariocão, Mineirão… E na hora que o calo aperta?

Como já citado, o Botafogo foi rebaixado em 2014 no Brasileirão. O Palmeiras só não caiu por pouco, após comemorar a vitória do rival Santos na rodada, que decretou a queda do Vitória. Santos, este, que já não lutava por mais nada e morreu no meio da tabela – mesmo tendo iniciado o ano de maneira arrasadora no “grandioso” Paulistão.

O torcedor precisa saber separar um torneio de pré-temporada de uma competição realmente importante, que serve de parâmetro para avaliar o futebol do seu time de coração. A imprensa precisa levantar mais esta questão da fragilidade dos estaduais, pois possui um papel importantíssimo na formação de opinião dos torcedores. Agora cabe aos clubes e às federações fazerem novamente dos estaduais aqueles campeonatos que enchiam estádios e faziam o coração dos fãs baterem mais forte.

Há muito os estaduais estão em coma. Ou os cartolas o salvam, ou o melhor para o futebol brasileiro será desligar os aparelhos.

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