Opinião: Muricy é teimoso e vai morrer com as suas convicções. Infelizmente

Muricy Ramalho - São Paulo
Crédito da foto: Getty Images/Arquivo

Não adianta, torcedor são paulino: vosso (nosso) técnico é teimoso demais, nasceu assim e vai morrer assim, abraçado com as suas convicções, que são baseadas na época em que ele jogava futebol, nos idos anos 70 e 80. Não que elas não tenham nenhum fundamento ou nunca funcionem. Contudo, não há mais espaço hoje, para o futebol extremamente cadenciado que o treinador gosta de imprimir em seus times.

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E reparem: mesmo quando ele treinou o Santos, que era um time veloz por natureza, com Neymar esmerilhando, ele fez o time alvinegro jogar “feio”. A única diferença daquela equipe, para agora, é que pelo menos o professor está tentando não investir tanto na bola aérea, ou como dizem, “Muricybol”. Mas como é difícil para ele…

Conforme eu e outros redatores aqui do Torcedores.com viemos dizendo nos últimos dias, é natural e justo cada ser humano ter a sua convicção. Agora, mais uma vez, é válido pontuar: quando ela fica maior do que o bom senso e, principalmente, ignora o contexto, é apenas o puro suco da burrice.

Muricy Ramalho teve uma chance de ouro contra o péssimo time do Audax Osasco, no final de semana, de testar em campo uma equipe mais rápida e envolvente, com a tal “profundidade” que ele identificou, finalmente, faltar ao time. Desperdiçou.

Ainda que tenha colocado em campo Thiago Mendes no meio campo e Pato no ataque, nos lugares de PH Ganso e Alan Kardec respectivamente, que estavam no jogo da Libertadores, o time conduziu a partida e fez todos os quatro gols do mesmo jeitão que os outros 14 que marcou no Paulistão até agora: tocando a bola pelo meio da área, esperando algum jogador infiltrar nas fracas defesas dos times pequenos que disputam a competição.

Fazer gol assim, desculpem, mas até eu, que sou ruim de bola, faço. Mesmo porque, como já foi dito, os adversários do Paulista são tão fracos, que em algum momento eles vão falhar e dar espaço para essas infiltrações pelo meio da defesa. Depois, quando se está na cara do goleiro, é só empurrar pra dentro. Não digo que seja ridículo de fácil conseguir isso. Mas não é nem um pouco difícil.

Difícil mesmo, na verdade, é Muricy Ramalho deixar de ser teimoso e, a essa altura da vida, “trair” um pouco as suas convicções. Até lá, continuarei me perguntando por quê o Jonathan Cafu é um dos únicos jogadores do elenco que não tiveram uma chance no time titular, por quê o Centurión só foi colocado em campo no sábado quando o jogo já estava resolvido, por quê Boschilia, mesmo tendo demonstrado seu valor já no ano passado, raramente joga, etc e etc…

Em tempo: cadê a profundidade, Muricy? Vai esperar perder a Libertadores para ajustar o problema?

Foto: Getty Images



Tudo o que preciso é um papel e uma caneta. Apaixonado por esportes desde 1900 e bolinha: de futebol, basquete, tênis, rugby...