Opinião: Copa do Mundo “quase no Natal” é a mais nova obra bizarra da Fifa

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Papai Noel verde e amarelo nos shoppings? Simone cantando “OEA”? Pisca-pisca de árvore de Natal que toca a musiquinha de futebol da Globo? A Copa do Mundo de 2022, no Qatar, pode ser disputada entre novembro e dezembro, com a final a apenas dois dias antes do Natal. Brincadeiras à parte, essa é mais uma bizarrice proporcionada pela Fifa.

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Claro que Copa do Mundo é uma coisa maravilhosa em qualquer época do ano, em qualquer lugar do mundo. Eu vou me divertir com essa competição sempre que ela for disputada. Mas há seus problemas. O Qatar foi escolhido como sede desbancando projetos que poderiam ser mais benéficos ao futebol, como o da Austrália, que nunca teve a oportunidade de receber a Copa.

O processo de escolha é marcado por denúncias de corrupção que derrubaram até o presidente da Confederação Asiática de Futebol, que buscava disputar a presidência da Fifa há quatro anos.

Além disso, os membros do comitê que elegeram o país como sede do Mundial em 2022 parecem ter “descoberto” depois que faz muito calor no meio do ano, época tradicional de disputa do torneio. O futebol não tem um calendário unificado no mundo todo. No Brasil, dezembro é mês de término do Nacional e férias dos jogadores. Na Europa, é meio de temporada.

simone copa

O Brasil se adapta mais facilmente às pausas para a Copa do Mundo porque sempre teve uma tradição de férias de meio de ano, que só acabou com a adoção dos pontos corridos no Brasileirão, em 2003. Antes disso, para quem não se lembra, era comum haver uma espécie de pré-temporada em julho na preparação para o Nacional logo após a disputa dos Estaduais. Em 1999, por exemplo, o Paulistão acabou no dia 20 de junho, e o Nacional só começou em 24 de julho.

A Europa, não. O calendário deles é bem mais rígido e tem que ser modificado até quando a Copa do Mundo é disputada em seu período normal. Nesses casos, as competições precisam acabar em maio para que jogadores possam se apresentar às seleções. Mas, e agora? Como proceder? Dispensar os atletas em outubro para a preparação? Só tê-los de volta no fim de janeiro, coloca-los em campo uma semana depois da Copa?

A Fifa terá uma briga dura pela frente, mas algo que ela mesma construiu com a ideia maluca de colocar a Copa do Mundo em um país que pouco acrescentará à história da competição. Ou alguém duvida que veremos o Qatar, dentro de campo, usar no futebol as táticas já vistas no último Mundial de Handebol, do qual foi sede e jogou com uma seleção de naturalizados?

Por enquanto, só nos resta imaginar uma Copa do Mundo “natalina”. Aquela na qual você reúne os amigos do trabalho para ver o jogo do Brasil e, logo depois, já aproveita para fazer o amigo secreto. E torçamos para que nenhuma confraternização seja ao ritmo de um novo 7 a 1.



Editor do Torcedores.com, está no site desde julho de 2014. Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, já passou por UOL, Editora Abril e Rede Record. Participou da cobertura da Copa do Mundo de 2014, de dois Pans, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e do Rio 2016. Também colabora com o ONDDA, site "irmão" do Torcedores.com.