Lateral-direita é o ponto fraco do São Paulo desde 2007; Relembre quem já passou por lá

Desde que Ilsinho foi vendido ao Shakhtar Donetsk, na metade de 2007, o São Paulo não consegue acertar a sua lateral-direita. Já passaram pela posição dez jogadores e nenhum deles deixou saudade no torcedor. Nem mesmo Douglas, hoje no Barcelona-ESP, era querido pelas arquibancadas Tricolores, que vibraram como um gol quando o jogador foi para a Europa.

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O atual dono da posição, Bruno, é mais um que pode ter sua passagem pelo São Paulo marcada como um fiasco. Apesar de não ter disputado muitas partidas até aqui, o jogador já é muito questionado, e sua atuação contra o Corinthians, na última quarta-feira (18), em especial, deixou a sensação de que talvez esteja um pouco assustado com a pressão por um bom futebol.

Bruno, no entanto, é mais uma vítima, do que o culpado por isso tudo. A lateral-direita são paulina é o Calcanhar-de-Aquiles do time, dada quantidade e variedade de estilos e origens de jogadores que tentaram resolver o problema nos últimos oito anos e tiveram o mesmo destino: a falha. Relembre:

Reasco – O equatoriano Reasco era uma estrela em seu país, ídolo e um dos principais jogadores da LDU-EQU, quando chegou ao Morumbi. Logo de cara passou meses de molho, por contusões musculares diversas. No momento em que conseguiu, finalmente, jogar, sofreu uma entrada criminosa em um jogo contra o Botafogo, pelo Brasileirao, quebrou a perna e nunca mais voltou.

Joílson – Destaque do Botafogo no Brasileirão de 2007, Joílson foi contratado para, ironicamente, tentar resolver a lateral-direita, que Reasco não havia conseguido por causa de uma fatalidade no jogo contra o time carioca. Deu a sorte de, logo no primeiro ano, ser campeão brasileiro, mas ao longo da temporada, foi reserva do improvisado Zé Luís na maior parte do tempo.

Jancarlos – Chegou do Goiás com o mesmo cartaz que Reasco e Joílson, causando aquela sensação de “agora vai!” no torcedor. Não foi. Atuações apagadas demais o fizeram ser reserva do reserva. Sim, isso mesmo: ele foi reserva de Joílson, que já era reserva do improvisado Zé Luís.

Wagner Diniz – Destaque no Vasco, principalmente pela qualidade em cobranças de falta de longa distância, Wagner Diniz teve uma passagem tão apagada pelo São Paulo, que se não fosse o Wikipedia, quase ninguém ia se lembrar que ela aconteceu. Foi prejudicado pelo contexto, já que chegou ao time numa época em que boa parte do elenco estava mais preocupada com seus próprios egos, inflados pela conquista do tri-brasileiro, do que em jogar futebol. Mesmo assim, poderia ter feito mais.

Adrián González – A improdutividade de Wagner Diniz e as experiências ruins dos antecessores deste, fizeram a diretoria ir buscar pé-de-obra no exterior. Por um misto de falta de opção com desespero absoluto, trouxeram o argentino Adrián González, que não jogou absolutamente nada.

Iván Piris – Seguindo a lógica que motivou a contratação de Adrián González, o São Paulo seguiu suas compras “na gringa”. Desta vez, foi até o Paraguai e trouxe uma verdadeira muamba: Iván Piris. Chegou ao time com pompa de estrela, por ter conseguido marcar o Neymar na Libertadores de 2011, quando jogava pelo Cerro Porteño. No Tricolor, porém, o mesmo Neymar que o consagrou, enterrou boa parte de sua reputação, ao forçar sua expulsão na semifinal do Paulistão de 2012. Apesar de tudo, ia bem na defesa na maioria das vezes.

Lucas Farías – Já que os gringos não haviam dado certo, o São Paulo resolveu apostar nas pratas da casa, achando que o sucesso que Lucas (hoje no PSG) já fazia no time profissional, poderia ser revivido em outras posições. Lucas Farías, então, foi pinçado. Teve diversas chances e, apesar de ter demonstrado certo potencial, não resolveu o problema da lateral-direita. Mais preocupado com sua aparência do que em jogar futebol, virou um mero figurante no elenco.

Douglas – Afobado ao extremo. Este era Douglas, o lateral, com jeitão de meia e habilidade de peladeiro. Contratado junto ao Goiás, chegou “bichado” ao clube e teve de ficar um tempão de molho, se recuperando. Quando pôde jogar, mostrou à torcida que além de não ser a solução da lateral, seria um problema tanto defensivo, quanto ofensivo. “Seria” não: foi. E depois foi mais uma vez: para o Barcelona-ESP. Vai entender…

Mateus Caramelo – Depois dos gringos, da prata da casa e do Douglas, a aposta foi nos destaques de times pequenos do interior em Campeonatos Paulistas. Mateus Caramelo passou no vestibular Tricolor por meio dessa “cota”. Teve algumas chances e, de tão fraco, fez o Douglas parecer o Cafu. Hoje perambula por aí, de empréstimo em empréstimo.

Luis Ricardo – Depois dos gringos, da prata da casa, do Douglas e dos destaques do interior, o jeito foi voltar aos velhos tempos e trazer um jogador que havia tido certo brilho em uma edição do Brasileirão. Este foi o caso de Luis Ricardo, o menos pior jogador da Portuguesa em 2013, ano em que o time foi rebaixado no Tapetão. Também não deu certo. Foi reserva de Douglas e depois de qualquer um que pudesse atuar na lateral-direita de forma improvisada.

Antes de terminar, é válida a menção honrosa aos dois únicos que tiveram sucesso na lateral-direita do São Paulo nos últimos dez anos: Cicinho e Ilsinho. Ambos tiveram outra chance no time depois de vencerem na vida e os dois foram ridiculamente mal. Fora de forma e desfocados do futebol, saíram pelas portas dos fundos, assim como todos os outros – exceto Douglas, que é “mitão”.

Foto: Divulgação / São Paulo FC



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