Conheça a origem histórica do 7 x 1 da Alemanha sobre o Brasil

Alemanha
Foto: Getty Images

A história registrará com destaque para sempre a goleada de 7 x 1 da Alemanha sobre o Brasil, no estádio Mineirão, nas semifinais da Copa do Mundo de 2014. Jogando um futebol técnico e superior, os germânicos humilharam a seleção canarinho em sua casa de uma maneira jamais vista até ali (e se espera que nunca mais aconteça). Kroos, Muller, Lahm, Klose e Neuer foram alguns nomes com grande destaque na ocasião que ajudaram os bávaros a vencer a competição. No entanto, esse fato tem suas origens históricas em uma passado não tão distante.

LEIA MAIS:
32 anos sem Garrincha: Relembre algumas histórias engraçadas dessa lenda
Clube que revelou um dos maiores laterais da história anuncia que fechará as portas

Toda pessoa que gosta de futebol certamente já ouviu falar na Hungria de 1954. A seleção do leste europeu comandada por Puskás, Kocsis, Hidegkuti e Czibor. A equipe que inventou o esquema “WW” (que seria o embrião do 4-2-4 do Brasil na Copa de 1958), também foi responsável por protagonizar grandes massacres na Europa entre os anos 1950 a 1954, quando conquistou a Olimpíadas de 1952 e o Vice-campeonato da Copa do Mundo de 1954.

Um dos grandes feito daquela seleção aconteceu em novembro de 1953, quando a equipe de Puskás e companhia enfrentou a Inglaterra em um amistoso no estádio de Wembley. Os ingleses nunca haviam perdido em casa para nenhuma seleção fora da Grã-Bretanha, mas os “Magiares Mágicos” golearam por 6 a 3, em um jogo que ficou marcado na história. O mundo se assombrou ao ver aqueles craques colocarem os ingleses na roda. Ninguém esperava que os inventores do futebol perdessem em Wembley, ainda mais de goleada.

Contudo, antes da Hungria outra seleção já havia deixado o mundo de queixo caído. A Áustria, de Matthias Sindelar, ficou conhecida por “Wunderteam” (Equipe Fantástica) e, assim como a Hungria foi treinada pelo lendário Gusztáv Sebes, o time austríaco foi comandado por Hugo Meisl, famoso pela frase: “prefiro jogar com dez a incluir um perna de pau”.

Essa equipe só participou da Copa do Mundo de 1934, onde foi eliminada pela Itália na semifinal de forma polêmica, tal qual aconteceria com o Brasil no Mundial seguinte. Contudo, os austríacos estavam voando às vésperas da Copa de 1938. Liderados por Sindelar, eles haviam goleado a Alemanha duas vezes (5×0 e 6×0), a Suíça (6 a 0), a Hungria (8 a 2) e a Escócia (5 a 0), naquela que foi a primeira derrota escocesa para uma seleção de fora da Grã-Bretanha.

Entretanto, com a anexação da Alemanha a Áustria, três meses antes da Copa do Mundo de 1938, o Wunderteam se defez. O Mundial aconteceu sem que os austríacos pudessem participar defendendo o seu país. Alguns jogaram pela Alemanha e outros, como o craque Sindelar, tiveram que largar o futebol.

ui
Estes são Sindelar, eterno craque da Áustria, e Puskás, lenda maior da Hungria.

 

Áustria e Hungria constituíram a Escola de Danúbio, assim conhecida graças ao modo especial de jogar futebol dessas seleções. Com uma técnica individual e tática de conjunto até então desconhecidas, cujas exibições provinhas dos gramados em Viena e Budapeste, respectivamente, capitais banhadas pelo Rio Danúbio, o segundo maior da Europa, essa equipes entraram para a história do futebol.

No século XXI, a Alemanha, que recebe parte das águas desse afluente, protagonizou feitos parecidos e pode ser inserida como membro da Escola de Danúbio. O massacre que a seleção germânica fez com o Brasil, portanto, não é novidade, já que suas origens históricas estão nos grandes feitos protagonizados pela Áustria e Hungria nas décadas de 1930 e 1950.