Conheça a síndrome de burnout, que causa o abandono da prática esportiva

Esgotamento físico e psicológico, o último passo antes da desistência. Descrevemos aqui a síndrome de burnout, o processo, que não se restringe aos praticantes de esporte,  limita o desempenho e deve ter atenção redobrada na base. A falta de estudos específicos sobre a síndrome no contexto esportivo dificulta a identificação e a compreensão da situação que pode ser determinante para o fim da carreira do jovem esportista.

João Guilherme Cren Chiminazzo, mestre em ciência do treinamento pela Unicamp, estudou o assunto. Ele ressalta a necessidade de um maior conhecimento sobre o tema por quem trabalha na área “burnout não é a desistência(conhecida como dropout), mas o esgotamento, ou seja, a síndrome ainda pode ser tratada com o retorno do atleta para a prática esportiva. Esse é um ponto importante que faz com que a síndrome de burnout deva ser muito bem conhecida por todos que atuam diretamente com modalidades esportivas, principalmente na base“, alerta. Em sua pesquisa, publicada em 2009 em trabalho conjunto com o professor Paulo César Montagner(Unicamp), João estudou o burnout no tênis, nela, os técnicos apontaram que 81% do seus atletas apresentavam sinais de esgotamento o que para ele é mais um indício de que são necessários estudos nesse sentido no universo do futebol “o tema precisa ser muito mais explorado por pesquisadores, sempre fazendo a interface com a prática. Com o resultado da pesquisa, concluiu-se que, como o contexto esportivo de cada modalidade é única, provavelmente os fatores que predispõe a síndrome são particulares envolvendo as especificidades de cada modalidade“, aponta.

Treino Santos
Desafio dos profissionais é achar o meio termo na rotina de treinamentos.Foto: Pedro Ernesto Guerra Azevedo/site do Santos F.C./Divulgação

A necessidade de levar os jogadores ao limite e conseguir sempre o melhor desempenho pode fazer com que a rotina de treinamentos seja mais “puxada” do que deveria, então como não ultrapassar essa linha e não desperdiçar talentos na base? Com 15 anos de experiência na preparação física em clubes do Brasil e do exterior, seu último trabalho foi no Guarani de Campinas, João responde “é importante pensar na formação a longo prazo desses jovens inseridos no esporte. Através de um planejamento a longo prazo, é possível traçar um planejamento da carreira esportiva dos mesmos e com isso direcionar os trabalhos, as atividades e principalmente as cargas de trabalhos, evitando assim, o surgimento de alguns problemas que poderão afetar diretamente seu desenvolvimento esportivo, como por exemplo, a especialização precoce, o overtraining e, principalmente, a síndrome de burnout“, analisa o pesquisador. Para ele o planejamento do trabalho desenvolvido na base é essencial “os resultados também devem ser planejados de forma que serão construídos em  atletas  jovens  fortes, seguros e consistentes. Nesse sentido, a base é o momento mais importante para a formação dos atletas e por isso é o local que deveria estar os melhores profissionais“, conclui.

texto originalmente publicado no site industriadebase.com



Jornalista preocupado com a formação humana dos jovens jogadores do futebol brasileiro. Desenvolvedor do site www.industriadebase.com que tem essa temática.