Clubes, Arenas e Federações: A guerra dos custos, receitas e visibilidade

No Rio de Janeiro vivemos nesse início de temporada uma briga entre clubes e Federação pelo valor dos ingressos praticados para o Campeonato Estadual. Um lado queria a manutenção dos seus contratos com o Maracanã e continuar a praticar o preço dos ingressos de acordo com o seu planejamento. Do outro lado temos a Federação com os clubes mais deficitários defendendo a redução de preços alegando que estádios mais cheios aumentariam as receitas em escala.

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No fim com as concessões dadas, o lado perdedor foi de quem queria a redução de valores dos ingressos.

A Federação não defende somente os interesses dos grandes, na verdade quem dá poder político a ela são os pequenos, a maioria dos clubes em todas as entidades, que vivem praticamente da receita dos estaduais, da venda de jogadores e das cotas de TV desse pequeno espaço de tempo.

Os pequenos não possuem torcidas expressivas e por isso os times do interior não ajudam em nada a encher um estádio como o Maracanã. Em SP esta situação é um pouco melhor, mas não é muito diferente do restante do país.

A falta de público nos estádios é cultural, apesar de sermos o “pais do futebol”. Na década de 70 o campeonato brasileiro tinha media de 20 mil pessoas no estádio. Quase dobramos de tamanho, nos modernizamos e, atualmente, a média do campeonato caiu para 16 mil pessoas no estádio.

E agora? Onde esta o problema do futebol brasileiro? Ou melhor. Como consertar o problema? Como melhorar a comunicação com o torcedor para faze-lo ir ao estádio?

Tem o inegável fator econômico, pois, na media, somos um país pobre onde entretenimento ainda é luxo e quem podia fazer um maior esforço esta mais apertado do que nunca na situação atual.

A modernização dos estádios, para a Copa do Mundo, cobrou seu preço e eles estão mais salgados. Os programas de sócio torcedor cobram uma mensalidade e dão ao torcedor poucos ingressos em troca e desconto nos jogos de maior importância. O famoso carnê comprado por torcedores na Europa e Estados Unidos, dão direito a assistir todos os jogos da temporada e estimulam o consumo dos demais produtos quando o torcedor entra nas dependências do SEU estádio.

Se tratando de Europa, existe turismo internacional para assistir aos jogos, mas isso dá assunto para mais um artigo.

Os patrocinadores dos estádios pagam para terem sua marca vinculada aos frequentadores e para o grande público quando o jogo passa na TV, principalmente a aberta. Se o público é majoritariamente local (restrito ao Brasil) e os estádios estão vazios, estas cotas tendem a cair a cada ano.

Para quem os patrocinadores vão mostrar a sua marca em um mercado local e estagnado? Empresas globais, com sua marcas globais pouco investem em nosso mercado, apenas o suficiente para não perder o espaço.

A Adidas pagou (está pagando) um gigantesco valor de patrocínio ao Flamengo. Cogitou-se em transformar o Flamengo em uma marca internacional, mas passando por uma benéfica reestruturação financeira, o time ainda não possui, novamente grandes conquistas que elevem seu nome além de terras tupiniquins. Se esse plano de internacionalização vai se concretizar, só o tempo vai dizer.

Em resumo, melhores receitas, melhor visibilidade internacional está dependendo da melhora da qualidade técnica e de diminuirmos a nossa fama de ser apenas um pais formador e exportador de atletas que, para alcançar o estrelato, precisam ir para fora do país.

Então o patrocinador conclui: Quando o jogador chegar a Europa, um mercado mais valorizado eu invisto mais na sua imagem e vendo, da Europa, meus produtos no Brasil.

Estamos mesmo 500 anos atrasado…