Capitão do Parma, sobre crise: “Estou preparado para permanecer mesmo na liga amadora”

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O Parma, tradicional clube da Itália que vive situação dramática financeiramente e deve decretar falência a qualquer momento, está em momentos de indefinições. Neste sábado (21) houve rumores na imprensa mundial de que o time abandonaria o Campeonato Italiano e, assim, perdesse seus jogos restantes por W.O., porém a Lega Calcio ainda não confirmou a informação. Com a equipe sem previsões de acertos dos salários, atrasados há sete meses, ver demonstrações de amor à agremiação se tornam algo raro. O capitão e zagueiro parmense Alessandro Lucarelli, ciente do drama dos gialloblù, não quer abandonar o barco.

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“Em qualquer caso, estou preparado para permanecer no Parma mesmo na liga amadora e continuar usando a braçadeira. O Parma está dentro de mim agora”, declarou Lucarelli ao jornal italiano Gazzetta dello Sport. Ele também não poupou críticas aos últimos presidentes do Parma, o italiano Tommaso Ghirardi (que abandonou a presidência em novembro), o albanês Rezart Taçi (que assumiu em dezembro) e o atual mandatário, o italiano Gianpietro Manenti, recém-chegado.

“O clube sempre tendeu a pagar os nossos salários no último dia possível, e isso era estranho. Em novembro, o então presidente Tommaso Ghirardi foi aos vestiários e contou que os salários não estavam sendo pagos porque negociava a venda do clube, mas isso não vingou. Eu o disse que era o presidente ainda e que deveria pagar os nossos salários, mas ele respondeu que não colocaria mais um euro no Parma. Neste momento, o encontro ficou tenso. Sentimos que fomos traídos por Ghirardi”, detonou Alessandro o ex-presidente Ghirardi.

“Nunca vi Taçi. Sempre tínhamos contato com Kodra, o novo presidente. Tenho que admitir que ele foi o único durante este período absurdo que não fez qualquer promessa. Apenas disse que o clube tinha sérios problemas financeiros e que não sabia quando poderia nos pagar. Já Manenti logo colocou grandes promessas na mesa. Ele nos mostrou um extrato bancário para provar que tinha 100 milhões de euros. Era muito dinheiro, então ficamos com um pé atrás. Sempre era o mesmo: tínhamos que esperar um dia ou dois. Não vimos um mísero euro”, emendou o jogador, de 37 anos, e irmão do ex-atacante Cristiano Lucarelli.

Alessandro também comentou o prejuízo que seria ao clube, já centenário, falir. “A falência do Parma significa mandar para casa pelo menos 200 famílias que dependem dos empregos no clube. Eu não estou pensando nos jogadores, mas naqueles que recebem mil euros por mês. Nós sentimos essa responsabilidade sobre os nossos ombros”, disse. “Entretanto, o tempo já passou. A ideia de entrar em concordata ficou para trás. Estamos trabalhando com a associação de jogadores, a federação italiana e a prefeitura. Iremos começar diretamente o processo de bancarrota. Temos que acelerar esse processo para, pelo menos, salvar o nosso status como um clube de futebol”, complementou.

Neste domingo (22) o Parma jogaria diante da Udinese, pelo Campeonato Italiano, mas a partida foi cancelada porque os seguranças do Estádio Ennio Tardini não recebem salários há oito meses e boicotaram trabalhar no jogo. Houve a opção do duelo ser realizado com portões fechados, mas os jogadores do time parmense optaram por não entrar em campo. “Eles (da Federação) não pensaram nos torcedores que gastaram dinheiro para comprar os ingressos no início da temporada? Isso poderia abrir um precedente para futuros jogos em casa e o futebol não é nada sem a presença da torcida”, afirmou Alessandro.

Em último lugar na classificação da Serie A, os gialloblù possuem apenas dez pontos na tabela e recentemente começou a se reunir com a Federação Italiana de Futebol, com a Lega Calcio e com a União de Jogadores para discutir possíveis soluções.

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Jornalista desde 2012, com passagens pelos jornais ABCD Maior e Diário do Grande ABC, além do canal NET Cidade. Atualmente como repórter colaborador no site Torcedores.com.