Opinião: Vai virar moda vender parte de atletas da base para pagar dividas

Barça

Vou começar o texto “arrumando” uma parte do título. Não digo que vai virar moda, pois isso de vender parte de atletas da base já acontece há algum tempo por alguns clube, porém com a falta de dinheiro de boa parte dos clubes no Brasil, atualmente isso, com certeza, será mais observado pela imprensa. Recentemente, Corinthians e Santos viraram notícias por esse motivo, justamente os dois clubes que mais se tem notícias por terem dificuldades financeiras (e que não deviam por tudo que ganharam ou venderam nos últimos anos).

LEIA MAIS
Opinião: Corinthians brigou por Dudu para se desfazer do erro da contratação de Pato
Opinião: Nenhum time do Brasil merece pagar o salário de Fred

O Corinthians aproveitou que Malcom era o jogador das categorias de base com mais sucesso e vendeu o jogador para pagar algumas dívidas com os empresários de Ralf (e ainda está devendo o jogador). Hoje o clube só possui 30%. Outra venda que o clube fez foi negociar 95% do passe de Matheus Pereira ou Pirulão, ao empresário do atleta, ficando apenas com 5%, o que convenhamos não é absolutamente nada já que o garoto é a “estrela” da base e poderá ser vendido por um alto valor.

O Santos, recentemente, vendeu parte de seus jovens jogadores: Gabriel, Daniel Guedes e Geuvânio para diminuir a crise financeira do clube que deve salários atrasados. O Atlético-PR, um dos clubes que mais utilizam atletas da base, vendeu partes dos direitos econômicos de Douglas Coutinho e de Marcelo Cirino (que foi para o Flamengo). Para renovar com Gabriel Jesus, o Palmeiras teve que ceder parte dos direitos do garoto para conseguir fechar um acordo com o atleta.

Ganso e Neymar são outros casos muitos conhecidos, principalmente o do segundo que causou enorme repercussão por conta da possível irregularidade de sua venda.

Enfim, existem muitos casos de venda de atletas para pagar dividas. O que era para ser uma VERDADEIRA fonte de renda, onde as promessas poderiam ser vendidas por milhões, hoje eles servem apenas como “quebra galhos” das equipes que exageram nos altos salários e contratações e depois não tem condições de pagar as dividas e ela só vai acumulando.

Isso é inaceitável. Se os clubes não tomarem uma providencia e não diminuírem suas dividas, essa prática vai se tornar um vício e consequentemente as promessas ficarão nas mãos dos empresários (mais ainda) e sairão muito mais cedo do país e as categorias de base vão se tornar apenas pontes para os atletas crescerem, desenvolverem um potencial e ganhar experiência na Europa.

Foto: Getty Images



Jornalista. Como todo torcedor também gosto de dar meus pitacos. Fã da seleção italiana, do Milan e do Arsenal.