Opinião: Só Botafogo e Grêmio se deram realmente mal na era dos pontos corridos

Dudu

A discussão sobre o melhor formato para a disputa do Brasileirão, polarizada há 12 anos entre mata-mata e pontos corridos, ganhou novo round este ano com o movimento nos bastidores feito pelo Grêmio para tentar a volta do antigo regulamento, com jogos eliminatórios e final, que vigorou até 2002.

LEIA MAIS
Cruzeiro é o melhor brasileiro do ranking IFFHS; Palmeiras é 439° do mundo

Um dos principais argumentos dos críticos dos pontos corridos é a falta de emoção na definição no título brasileiro. Eu faço parte desse grupo saudosista que preferia a sensação de suspense vivida naquele Santos x Corinthians de 2002, a ter que aguardar e ver o Cruzeiro garantir o título brasileiro contra o Goiás, que nada mais disputava, rodadas antes do fim.

Mas há um argumento que não considero como válido entre meus companheiros de mata-mata. Muitos dizem que o formato faz com que exista um processo de separação entre os times grandes, criando uma “elite dentro da elite”. Isso porque, desde 2003, apenas seis dos 12 grandes foram campeões brasileiros.

Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, São Paulo, Santos e Corinthians não só foram campeões, como se tornaram constantes nas disputas no topo da tabela. Nesse período, apenas o Timão foi rebaixado nos pontos corridos. Enquanto isso, na outra ponta, ficariam os clubes “relegados a medianos”, Grêmio, Palmeiras, Vasco, Botafogo, Atlético-MG e Internacional.

Se o mundo girasse em torno do Brasileirão, isso poderia fazer algum sentido. Mas uma análise mais clara mostra que apenas dois dos grandes realmente se apequenaram em termos de títulos nos últimos 12 anos. Grêmio e Botafogo vivem de estaduais. O time gaúcho tem como último título nacional a Copa do Brasil de 2001, enquanto o Fogão ainda lembra o Brasileiro de 1995.

É justamente o Grêmio quem agora comanda o movimento para a volta do mata-mata. Pessoalmente, espero que um dia o Brasileirão possa voltar a ter esse formato, que é cultural, não vem de uma influência europeia, e ganha em emoção. Também acho que os pontos corridos mataram qualquer chance de termos os times foram dos “12 grandes” como campeão, como aconteceu com o Atlético-PR em 2001, o Coritiba em 1985.

Mas a conta de “elite da elite” não fecha. O Internacional não ganhou nenhum título brasileiro, não vence, aliás, de 1979, mas ganhou duas Libertadores neste século. O Atlético-MG, apenas nos últimos dois anos, foi campeão da Libertadores, Recopa Sul-Americana e Copa do Brasil.

O Palmeiras viveu crises extremas com rebaixamentos e vexames, mas ganhou uma Copa do Brasil. O mesmo vale para o Vasco. Apenas Grêmio e Botafogo têm motivos profundos para se queixarem da sorte que os guiou nos últimos 12 anos.



Editor do Torcedores.com, está no site desde julho de 2014. Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, já passou por UOL, Editora Abril e Rede Record. Participou da cobertura da Copa do Mundo de 2014, de dois Pans, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e do Rio 2016. Também colabora com o ONDDA, site "irmão" do Torcedores.com.