Opinião: Desafio de se reinventar em 2015 terá de ser conseguido pelo Cruzeiro na marra

Quando você monta um time vencedor e é bi-campeão do campeonato mais difícil do seu país por dois anos consecutivos, você vira referência. Por outro lado, também vira o time a ser batido, aquele que terá de ser derrubado e todas as forças serão voltadas para este fim.

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O Cruzeiro de 2015 seria esse alvo. Pelo menos até o começo da semana passada, quando negociou dois atletas de confiança e derrubou a expectativa de que manteria o mesmo elenco de sucesso de duas temporadas seguidas, por mais uma.

Apesar de, antes mesmo do fim de 2014, contando ainda com Alexandre Mattos em seu quadro de funcionários, ter contratado algumas peças para fazer Marcelo Oliveira rachar a cuca e continuar mantendo o time lá em cima, nesta semana o Cruzeiro perdeu um dos pilares que sustentavam o palácio Celeste.

Ricardo Goulart, cedido ao futebol chinês por vários milhões de reais era, ao lado de Everton Ribeiro, um dos jogadores que fizeram a Raposa se tornar a máquina que nos acostumamos a ver em campo.

Todo o dinamismo do modo de jogar do Cruzeiro passava, necessariamente, por Ricardo Goulart e Everton Ribeiro (um de cada vez, ou juntos). A velocidade na troca de passe, a eficiência da troca de posições, o avanço pelas pontas do campo e as tabelas dificílimas de serem marcadas, sem distinção, tinham a assinatura de um dos dois.

Agora, com a saída de Goulart, o desafio que o time teria, de se reinventar, torna-se uma faca de dois gumes: pode ser encarado como algo superado, afinal, o que já foi, não volta mais; Ou ser encarado como uma dificuldade a mais para resolver, já que se foi uma engrenagem importantíssima para o bom funcionamento da engenhoca.

A única certeza é que o Cruzeiro não será mais o mesmo. Por mais que Marquinhos, Willian, Alisson e Júlio Baptista estejam lá e todos sejam úteis, nenhum deles é Ricardo Goulart, bi-campeão brasileiro consecutivo, sendo destaque em ambas as ocasiões. E agora, Marcelo?

Foto: Getty Images



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