Opinião: Daniel Nepomuceno ficou com “herança maldita” de Kalil

Fico aqui imaginando como será que devem ser todas as manhãs de Daniel Nepomuceno, presidente recém-eleito pelo Atlético-MG. Será que ele pensa que cada dia é um dia a mais para manter o alvinegro na crista da onda, conforme estava quando ele assumiu, ou pensa que é um dia a menos para provar que é tão competente quanto seu antecessor, Alexandre Kalil?

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Difícil supor. Porém, possível especular. Pela postura que Nepomuceno demonstra nas entrevistas que concede, a impressão que passa é de que é um sujeito muito seguro de si. Apesar da pouca idade, a tranquilidade com que se posiciona e as ideias realistas que passa são de surpreender o apaixonado por futebol acostumado com cartolas folclóricos, velhos, barrigudos e arrogantes.

Por outro lado, essa mesma forma de se colocar, pode fazer com que se pense que Nepomuceno apenas reproduz gestos e frases pré-moldadas, pensadas para justamente passar uma imagem de segurança. Afinal, seguindo a mesma linha de raciocínio do parágrafo acima: como pode existir um cartola jovem, com ideias modernas, sério, comandando um clube do tamanho do Atlético-MG?

Independente da maneira como cada um escolhe ver a figura de Daniel Nepomuceno, uma coisa é certa: esse pensamento ambíguo só existe porque Alexandre Kalil, o mandatário que mudou totalmente a vida do Atlético-MG, fez um trabalho excelente. E superar isso é tão difícil, que tem até a aura de martírio.

Primeiro porque a reputação de Kalil é uma e a de Nepomuceno é outra. Não que o segundo seja malvisto. Não acredito nisso. Mas Kalil é praticamente um intocável, pelo que fez pelo Galo e pela personalidade fortíssima que tinha.

E em segundo e derradeiro lugar, Kalil foi o homem-forte que esteve nos bastidores das duas maiores conquistas da história do Atlético-MG: a Libertadores de 2013 e a Copa do Brasil de 2014. Se neste primeiro ano da gestão, Nepomuceno não conseguir ganhar um Campeonato Mineiro que seja, certamente vão pegar no seu pé.

E é aí que mora o grande problema: dirigente não entra em campo. Mas se tudo dá muito errado, é o primeiro que a torcida pede para ser substituído. Por essas e outras que, às vezes, é melhor pegar o clube em frangalhos, do que o contrário. Triste, mas real.

Foto: Getty Images



Tudo o que preciso é um papel e uma caneta. Apaixonado por esportes desde 1900 e bolinha: de futebol, basquete, tênis, rugby...