Opinião: Copinha escancara problemas da base no Brasil

Tenho assistido a vários dos jogos dos mais diversos times transmitidos pela televisão na Copa São Paulo de Futebol Júnior, e fui ao estádio ver duas partidas do Atlético-MG pela competição em São Bernardo do Campo, contra o time da cidade e diante do Avaí. A análise geral que posso fazer após duas fases do torneio é: o campeonato continua sendo uma vitrine, mas agora dos problemas do futebol brasileiro.

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Evidentemente não podemos cobrar muito de jogadores das categorias juniores. Há todo um nervosismo envolvido, hoje a competição atrai ainda mais a mídia, canais como o SporTV chegam a transmitir quatro partidas por dia na primeira fase. Sim, levo tudo isso em consideração. Mas uma coisa também é fato: nossa base não ensina fundamentos básicos aos jogadores.

Passes errados, cruzamentos ruins, escanteios que terminam em nada, falta de noção de posicionamento para escapar de impedimentos. Poderia ficar horas listando os problemas que vi em campo e na televisão. E não tem um time em especial. É um problema generalizado da base brasileira.

Em alguns casos, há uma profunda dificuldade com finalizações. Em outros, o jogo no meio-campo fica tão feio que o torcedor tem que levantar os braços e agradecer aos céus por estar assistindo à partida sem ter que comprar ingresso, ou seja, pagar para ver aquilo.

É claro que existem os bons jogos, mas em uma competição com 104 clubes, com várias partidas todos os dias, fica complicado não apostar que a maioria é sofrível. Não é a explicação absoluta, mas, vendo a situação da formação de nossos jogadores, fica mais possível entender por que levamos 7 a 1 em casa numa Copa do Mundo.



Editor do Torcedores.com, está no site desde julho de 2014. Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, já passou por UOL, Editora Abril e Rede Record. Participou da cobertura da Copa do Mundo de 2014, de dois Pans, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e do Rio 2016. Também colabora com o ONDDA, site "irmão" do Torcedores.com.