Opinião: Classificados da Copinha desmentem uma das teorias sobre o 7×1

Gabriel Jesus

Neste final de semana acabou a primeira fase da Copa São Paulo de Futebol Júnior. Dos 104 clubes que iniciaram a disputa, apenas 32 conseguiram carimbar o passaporte para a segunda fase, os sempre atrativos mata-matas, que começam na próxima quarta-feira (14).

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É agora que o bicho vai pegar para valer, apesar de já termos tido, na primeira fase, algumas partidas que acabaram funcionando como um mata-mata, como as eliminações de Santos e Inter/RS para Linense/SP e Ituano/SP respectivamente. Mas essas foram coincidências apenas. E, principalmente, exceções.

O que realmente vai definir se boa parte do discurso que tem sido proferido a respeito do futebol brasileiro desde os 7×1 aplicados pela Alemanha, na Copa do Mundo, será o afunilamento dos que sobraram de agora em diante.

De todos os classificados para a segunda fase, apenas 10 não ostentam seus elencos profissionais nas séries A ou B do Campeonato Brasileiro. O fato de 65% dos clubes classificados estarem em situações favoráveis atualmente, diante do escopo de clubes profissionais existentes no Brasil e do nível de competitividade que isso implica, mostra que, talvez, o futebol de base no país não seja realmente o principal problema pelo qual passamos.

Dos 12 considerados grandes, somente os já mencionados Santos e Inter/RS saíram na primeira fase. Todos os quatro grandes do RJ, os dois de MG, o trio de ferro paulista e o Grêmio/RS, medirão forças para decidir o campeão. Do Paraná, também passaram os três principais times. Da Bahia, a dupla Ba-Vi se garantiu. Em Pernambuco, o Sport está dentro, bem como o Goiás/GO, o Ceará/CE e três representantes de SC, a nova sensação do futebol brasileiro.

É certo que apenas um deles será campeão e, conhecendo o futebol, pode acontecer de não ser nenhum dos 65% que se classificaram e estão bem na foto hoje, nas categorias superiores. Porém, se assim se der, pode ser mais um motivo para se olhar o corpo meio cheio, afinal, ninguém ganha uma competição deste porte se não tiver qualidade para tal.

Resta saber quando, de fato, vamos admitir que nossa crise está em quem segura a cartola, não em quem sua a camisa nos gramados mal cuidados espalhados pelo interior de São Paulo, em horários de calor escaldante, apenas para a TV ter o que mostrar.

O nosso buraco não é mais embaixo. É mais em cima. Aliás, é tão no alto, que é difícil supor se descerão do salto para nos colocar novamente no altar do primeiro lugar de um pódio. E é isso que nos deprime.

Foto: Agência Palmeiras / Divulgação



Tudo o que preciso é um papel e uma caneta. Apaixonado por esportes desde 1900 e bolinha: de futebol, basquete, tênis, rugby...