Opinião: Ambiente no Cruzeiro aparenta ser tão bom, que está mais para ficção

Cruzeiro
Vipcomm/Divulgação

É muito difícil acreditar no Cruzeiro. Não dentro de campo. Dentro de campo é completamente possível acreditar no Cruzeiro, por mais que o time vacile e sofra demais em competições mata-mata. É difícil acreditar no Cruzeiro fora de campo.

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Enquanto vejo todos os clubes do país sofrendo para contratar jogador e alguns até para vender ou emprestar jogador, no Cruzeiro parece que tudo está na santa paz celestial. Nada de ruim é ventilado, nada de ruim acontece, não há dívidas, não há insatisfação.

Somente nessa semana o clube negociou dois de seus principais atletas: o lateral-esquerdo Egídio e o volante Nilton. O primeiro foi para uma equipe ucraniana do segundo escalão e o segundo irá reforçar um rival e concorrente fortíssimo pela taça da Libertadores, o Inter.

Não posso admitir que o Cruzeiro esteja fazendo caridade ao liberar tais atletas. Ninguém faz caridade, ainda mais com tanta coisa em jogo. Também não consigo engolir o discurso de que é uma “reformulação necessária”, por isso tanta gente saindo em um espaço de tempo tão curto.

É preciso lembrar que jogador de futebol é um produto e precisa render para o clube, em campo e fora dele. No Brasil, então, render fora dele é questão de sobrevivência. As negociações de Egídio e Nilton são prova disso e a diretoria do Cruzeiro, por tolice, dirá que não, não e não.

E não. Não convencerá. Principalmente se não repor à altura, ou os que já foram contratados previamente não rendam o que os que saíram rendiam. Se começar a ter uma queda de rendimento geral, então, pior. O time segurou o jovem volante Lucas Silva, que ia gerar uma bela grana caso fosse para o Real Madrid. O que passou pela cabeça dos dirigentes da Raposa?

Em que mundo um profissional valorizado e doido para mudar de emprego (o próprio Lucas declarou ser “um sonho” jogar no Real Madrid) rende bem? Nem mesmo no time do momento no futebol brasileiro é possível segurar a vaidade de um grupo vencedor. O São Paulo, tricampeão Brasileiro na segunda metade da década de 2000, foi desmoronando pouco a pouco, de 2009 em diante. Até agora o Tricolor não retomou as rédeas.

O Cruzeiro brinca com fogo, quando ignora o contexto e o histórico de quem já passou pela mesma situação. Fingir que está tudo bem pode ser bom até a página dois. Depois, nem o melhor roteirista da Disney dá jeito. Quando a bola rolar as máscaras vão cair. E salve-se quem puder.

Foto: Divulgação



Tudo o que preciso é um papel e uma caneta. Apaixonado por esportes desde 1900 e bolinha: de futebol, basquete, tênis, rugby...