Opinião: Após se reinventar com Kalil, Atlético-MG exige um presidente com uma nova mentalidade

Crédito da foto: Divulgação/Atlético-MG

Foram seis anos ditatoriais do presidente Alexandre Kalil no comando do Atlético-MG. Em diversas oportunidades, foi assim que Kalil se definiu: como um ditador. “Eu mando, ponto final e acabou. Ninguém mais manda lá dentro, só eu, e todo mundo que trabalha comigo sabe disso”.

LEIA MAIS
Mercado da bola: Depois de contratar bons valores, Palmeiras não deve ter Réver
Mercado da bola: Atlético fixa preço por lateral direito e Porto faz primeira proposta

Kalil sempre se envolveu com as decisões do clube. Ironizou quando tinha que ironizar, brigou quando tinha que brigar, mas sempre colocando os interesses do Galo em primeiro lugar. Este temperamento do ex-mandatário foi fundamental para a reviravolta que aconteceu no clube.

Foi Kalil quem fez a mudança acontecer. Foi Kalil quem colocou novamente o Galo entre os melhores times do Brasil. É lógico que jogadores como Ronaldinho, Victor e Tardelli foram fundamentais nesse processo, mas sem Kalil, nada teria acontecido.

No entanto, em dois aspectos administração de Kalil falhou. O Marketing e o programa de sócio torcedor nunca foram pontos fortes. Uma das primeiras medidas adotadas foi a extinção do departamento de marketing que, segundo Kalil, “marketing no futebol é bola dentro da casa. Se a bola entrar naquela casinha, você vende até Modess pra homem. É só colocar o escudo do Atlético.”

Em relação ao sócio torcedor, Kalil até tentou emplacar “o Galo na Veia” e inicialmente acabou dando certo. Porém, a falta de benefícios e o aumento da mensalidade acabaram afastando os torcedores atleticanos.

Apesar do temperamento marcante e das conquistas de títulos, o comportamento de Kalil não faz mais parte do futebol moderno. O dirigente colocou o Atlético em um patamar que não combina mais com ele. Com isso, o Galo precisava de um novo presidente, com uma nova mentalidade e com uma administração mais consciente.

Com a saída de Kalil, Daniel Nepomuceno parece ser o presidente ideal para o novo Clube Atlético Mineiro. Apesar da pouca idade – Daniel é o segundo presidente mais novo da história do Galo, com 36 anos -, o novo presidente vem provando a sua competência neste início de trabalho, principalmente com a renegociação das dívidas fiscais do clube, firmando acordo com o Programa de Refinanciamento Fiscal (Refis).

Além disso, a impressão é de que o programa de sócio torcedor e projetos de marketing vão ser prioridades na nova gestão. Daniel Nepomuceno precisa se dedicar ao que a marca “Atlético” pode vender e lucrar.

Um outro desafio do presidente, neste início de primeiro mandato, é em relação à formação do elenco. A política parece ser a de manutenção: não liberar facilmente jogadores e fazer contratações pontuais. No entanto, peças importantes do elenco receberam propostas e possuem  a situação indefinida, casos como o de Diego Tardelli, Réver e Marcos Rocha. Assim, cabe ao presidente definir logo a situação dos jogadores para fazer uma reposição à altura caso algum saia.



Estudante de Jornalismo na Universidade Federal do Rio de Janeiro e apaixonado por esportes.