Hoje sem graça e com fórmula bizarra, Paulistão já teve inovações nos anos 1990 e 2000

Quatro grupos com cinco clubes. Cada time enfrenta apenas os adversários dos outros grupos, em turno único. Nas quartas de final, o líder de cada grupo enfrenta o vice-líder de sua própria chave, decidindo uma vaga na semifinal. Ou seja, todos os times ficarão sem jogar contra pelo menos três dos 19 outros participantes do torneio. Achou bizarro? Pois essa é a fórmula que será usada pelo segundo ano consecutivo no Paulistão.

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Desde quando Marco Polo Del Nero assumiu a presidência da FPF (Federação Paulista de Futebol), em 2003, o principal torneio do futebol estadual em São Paulo perdeu força, apelou a fórmulas estranhas e perdeu boa parte da graça. É bem verdade que poucos campeonatos no mundo conseguem dar alegrias aos “pequenos”, como a final São Caetano x Paulista, em 2004, e o Ituano campeão após deixar Palmeiras e Santos para trás.

Antes, sob a gestão do polêmico Eduardo José Farah, morto em maio do ano passado, o Paulistão não deixava de ter aspectos extremamente bizarros, como as disputas de pênaltis em qualquer partida da primeira fase para dar um ponto extra a um dos times em caso de empate. Mas ainda era forte e chamava a atenção por outras inovações.

Usado até na Copa do Mundo, o spray que delimita o espaço da barreira nas cobranças de falta ficou famoso nacionalmente após o uso no Campeonato Paulista. O produto facilitou a vida dos árbitros e foi se expandindo aos poucos, sendo aceito por CBF e Fifa.

A FPF também testou, em 2000 e 2001, a presença de dois árbitros em campo. Eles dividiam as mesmas funções, ficando cada um em uma metade do gramado, se alternando a cada 15 minutos. A ideia acabou não vingando, mas também não causou problemas na execução.

Foi também no Paulistão que a arbitragem feminina se consolidou. Ainda no começo dos anos 2000, a árbitra Silvia Regina de Oliveira ganhou status de uma das mais importantes da competição. Aos poucos chegaram suas companheiras de apito e bandeira, como Ana Paula de Oliveira.

Hoje, o Paulistão começa sem grandes novidades em termos de testes, nem de grandes jogadores, tampouco no regulamento. Mais um ano que promete não ser fácil para quem vive dessa competição estadual.



Editor do Torcedores.com, está no site desde julho de 2014. Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, já passou por UOL, Editora Abril e Rede Record. Participou da cobertura da Copa do Mundo de 2014, de dois Pans, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e do Rio 2016. Também colabora com o ONDDA, site "irmão" do Torcedores.com.