Campeão da Copinha, goleiro do Corinthians minimiza convocação na seleção

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* Colaboraram Glauco Costa e Arthur Sales

O Corinthians é o maior campeão da Copa São Paulo de Futebol de Juniores, o principal campeonato das categorias de base sub-20 do futebol brasileiro. Revelou três goleiros que tiveram oportunidades (ou não) no profissional, casos de Júlio César e, mesmo que pouquíssimas vezes, Danilo Fernandes.

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Apesar do prognóstico de ser um time pouco revelador, Matheus Caldeira Vidotto, goleiro de 21 anos, é um dos remanescentes da penúltima conquista da Copinha, em 2012, na equipe principal. Mesmo sendo jovem, o guarda-redes já conta com convocação para a seleção brasileira de Luiz Felipe Scolari, – no amistoso diante da Bolívia -, além dos títulos da Copa São Paulo de 2012 e o Paulistão de 2013.

Em entrevista exclusiva ao Torcedores.com, o jovem contou sobre a sua carreira, o ambiente corintiano, a convivência com os goleiros Cássio e Walter, a pré-temporada do Timão realizada nos Estados Unidos, a convocação inesperada da Seleção Brasileira principal, entre outros assuntos.

 

Torcedores: Conte um pouco da sua vida e carreira, quando começou no futebol, se teve que sair de casa para seguir no esporte, se em algum momento teve que escolher entre os estudos ou o futebol.

Matheus: Meu nome é Matheus Vidotto, tenho 21 anos e jogo futebol desde os 6 anos. Comecei no CAY (Clube Atlético Ypiranga), depois de alguns outros clubes cheguei no Corinthians, com 12 anos e estou lá até hoje. Nunca tive que parar de estudar, mas acabei deixando de dedicar o meu tempo para os estudos porque o futebol tomava meus dias e finais de semanas inteiros.

T: Como foi a pré-temporada nos Estados Unidos?

M: Foi muito boa. A estrutura estava muito boa, além de muito treinamento, também disputamos dois amistosos de alto nível, onde deu pra acertar alguns erros.

T: Você é um jogador que conseguiu vencer a barreira do futebol de base, é um profissional, quantos dos seus colegas da base já não estão mais no futebol? São maioria ou minoria? Você mantém contato com muitos desses que já não estão no futebol? Como eles estão vivendo atualmente? Como seria sua vida atualmente fora dos gramados em uma hipotética dispensa?

M: Diria que 99% dos meus amigos da base não jogam futebol mais. Perdi o contato com a grande maioria deles, essa é uma parte bem triste da nossa carreira, muitos não conseguem continuar e muitos desses se tornam grandes amigos. Prefiro não pensar nisso, prefiro pensar na minha vida daqui uns anos como um grande jogador de futebol, e não o contrário.

T: Você tem mais 15, talvez 20 anos de carreira no futebol, já chegou a pensar o que vai fazer quando essa carreira terminar?

M: Penso, mas algo muito vago, até porque eu estou começando a minha carreira como profissional. Acho que como já estou cursando administração na faculdade, seria esse o caminho que eu levaria.

T: Em relação aos treinamentos na base, no Brasil não se joga competições oficiais com dimensões adaptadas (bola, campo, balizas e número de jogadores) nas categorias menores, como era os treinamentos quando você passou por sub-11,13,15 nesse sentido?

M: Que nosso futebol ficou para trás parece bem claro para todos, mas se eu precisar te falar exatamente o que precisamos melhorar acho que não conseguiria, deixo essa para os encarregados.

T: Quais são os pontos positivos na base do futebol brasileiro? O que precisa melhorar? 

M: Como ponto positivo podemos colocar a facilidade com a qual os meninos já nascem para controlar uma bola. Realmente o talento brasileiro faz a diferença e para melhorar acredito que a estrutura precisa melhorar demais. Eu, por exemplo, cansei de treinar em campos sem a mínima condição de dar um passe ou de trabalhar um jogo de qualidade, o que hoje no futebol cada vez mais se torna obrigatório. Também acho que a obediência tática precisa melhorar, mas isso nós vamos precisar de mais algum tempo, a estrutura creio que possa ser melhorada em um curto período de tempo.

T: Você foi campeão da Copa São Paulo de Futebol Junior, em 2012, o principal título das categorias de base, mas, de lá para cá, sua carreira ainda não explodiu como se esperava. O mesmo, infelizmente, também acontece com muitos outros garotos que se destacam na competição. Como você percebe essa situação?

M: No meu caso, acho natural como goleiro passar alguns anos na espera. São raros os casos em que isso não acontece. Me sinto em uma fase crescida. Sinto que minha hora está chegando e cada dia me sinto mais preparado para isso.

T: A sua inesperada convocação para a seleção brasileira foi o ápice para a sua carreira. Muito se falou sobre os motivos que o levaram a integrar o elenco principal. Como foi o período pós-convocação: houve muitas propostas de outras equipes, o Corinthians pretendeu lança-lo no profissional?

M: Para falar a verdade, fora a fama momentânea na minha carreira, não mudou muita coisa. Mais importante foi o aprendizado e a experiência, mas em termos profissionais não mudou muito não.

T: Para um jovem promissor como você, como é ver a carreira de antigas promessas cair vertiginosamente, como o Lulinha, por exemplo, que sem espaço no Ceará defenderá o Red Bull no Paulistão?

M: Para falar a verdade, eu consigo entender o que aconteceu, porque nos meus primeiros meses no profissional eu me sentia com muita dificuldade. Às vezes o Lulinha, ou tantos outros, também sentiram um pouco nesse primeiro momento e não tiveram a sorte que eu tive de ter muita gente que me apoiou para passar por essa fase de adaptação. Agradecimento especial ao meu treinador de goleiros, Mauri Lima.

T: Matheus, ser goleiro foi a sua primeira opção ou essa posição foi escolhida por falta de habilidade para atuar entre os jogadores de linha?

M: No primeiro momento falta de habilidade, mas depois que joguei no gol adorava não deixar os outros fazerem gols. Então sempre foi muito legal para mim, sempre foi natural.

T: Para um jovem goleiro como você, como é treinar ao lado de um goleiro campeão da Libertadores e de um Mundial de Clubes, além de ser convocado para a seleção brasileira como o Cássio? Como é sua relação com ele? É mais profissional ou também pessoal? Se você pudesse listar as qualidades dele, quais seriam?

M: É bom demais, cara. Parece clichê e frase pronta, mas todo dia eu aprendo um pouco com o Cássio e o Walter. Os caras são monstros e eu me sinto muito bem treinando ao lado desses caras. Entre os goleiros lá no clube, todo mundo é muito amigo, quando o Cássio ainda não tinha jogado de titular pelo Corinthians, nós às vezes ficávamos de fora de alguns treinos e ele me ensinou muita coisa, me deu muitas dicas.

T: Em 2016 teremos as Olimpíadas no Rio de Janeiro. É uma das suas metas estar presente na competição? Você, momentaneamente, consideraria uma possível mudança de clube por empréstimo para poder jogar e mostrar serviço para o treinador Alexandre Gallo? Sendo mais direto, quais suas expectativas em torno da seleção brasileira?

M: Prefiro não fazer esse tipo de ”previsão”. Vou continuar fazendo o que eu posso, que é treinar todos os dias com o máximo que eu tiver e se aparecer uma oportunidade estar preparado para ela.

T: Você está há cerca de três anos no elenco profissional do Corinthians. Em 2012 você disputava uma Copa São Paulo. Nesse ‘intervalo’ contou com uma convocação para a seleção principal de forma surpreendedora. Como você avalia tudo isso? Como é estar no profissional de um clube como o Corinthians? E o ambiente do Timão, como é? Na seleção brasileira como foi para você? Era um bom ambiente? Foi bem recebido? Como eram os ambientes dos seus três anos de Corinthians e aquele (ambiente) da convocação para a Seleção de Felipão se comparado?

M: Minha avaliação é que mesmo não tendo jogado, o meu aprendizado nesses três anos foi uma coisa absurda. Me sinto 300% melhor hoje em dia, querendo ou não, são três anos treinando e trabalhando todo dia com os melhores. Você se sente na obrigação de acompanhar o ritmo e isso me faz evoluir demais. O ambiente lá é sensacional, todo mundo se gosta muito, todos muito amigos e essa é uma das grandes diferenças do nosso time.

T: Quais são suas metas dentro e fora do Corinthians? O que tu almeja para sua carreira como um jogador de futebol profissional?

M: Copa do Mundo. Quem sabe um dia, né?!

Crédito da foto: Reprodução/Instagram

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Projeto de jornalista. Se alimenta de seus sonhos através de caneta e papel. Com passagens pelo Voz Caiçara. Atualmente é colaborador do Torcedores.com e, quando pode, faz mídias sociais no PSG Brasil. Um amante do futebol de base.