Opinião: Volante “brucutu” é coisa do passado no futebol

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No passado, o primeiro volante era aquele jogador da marcação, da “pegada”, mas que muitas vezes não conseguia sequer dar um passe de cinco metros, função esta do segundo volante, responsável por, além de marcar, iniciar a armação de jogadas.

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Hoje ainda há esse tipo de jogador, mas é interessante reparar que nos grandes times e seleções do planeta, o espaço dele foi… para o espaço. É possível que em algum momento a palavra volante deixe de existir e seu significado passe a estar incluído no conceito geral de meio-campista, aquele que marca, mas tem capacidade para ir à frente.

No Campeonato Brasileiro, apenas o Cruzeiro não conta com volantes “pegadores” em sua equipe titular. Henrique e, principalmente Lucas Silva, são eficientes tanto na marcação quanto na criação.

Vez ou outra o Fluminense atua com Jean e Cícero à frente de sua defesa, apresentando um futebol agradável, embora a posição na tabela não reflita isso. Corinthians e Galo, por circunstâncias das lesões de Ralf e Pierre, também abandonaram os “brucutus” nas últimas partidas. Um, apesar da irregularidade, venceu o líder no Mineirão; o outro mostra credenciais para se consolidar no G-4.

Pela Europa o abandono do primeiro volante tornou-se nítido. O Barcelona montou um dos maiores times da história com Busquets e Xavi, além de Iniesta mais à frente, e serviu de espelho para a seleção espanhola bicampeã europeia e campeã mundial. O Bayern domina o futebol alemão atual com Kroos (agora Xabi Alonso) e Schweinsteiger. Equipe que, inclusive, dispensou Luiz Gustavo pelo fato do brasileiro, titular absoluto de Felipão e Dunga, limitar-se apenas à marcação. Atual campeã mundial? A Alemanha, base do clube bávaro.

Os exemplos vão além das equipes que são bases de suas seleções nacionais. O Real Madrid venceu a Champions League passada com Xabi Alonso e Modric, e agora tem Kroos na vaga do espanhol. O Manchester City venceu o Campeonato Inglês com Yaya Touré e Fernandinho, meia-atacante no início da carreira.

O Chelsea voa na atual Premier League sob o ritmo de Matic e Fàbregas. A Juventus domina o Calcio tendo em mãos o trio Pirlo, Vidal e Pogba. Sua maior ameaça nesta temporada, a Roma, tem De Rossi e Naingollan. O Liverpool renasceu com a dinâmica de Gerrard e Henderson. Arsenal e Manchester United, embora ainda não estejam na ponta dos cascos, possuem Ramsey, Wilshere, Blind e Ander Herrera. Até mesmo o pragmático Atlético de Madrid não conta com brucutus, mas sim com Koke e Gabi.

O cenário chegou a esse estágio porque houve, por parte dos envolvidos com o futebol, uma compreensão do que ele é hoje, e como adaptar-se às novas tendências.

Aqui no Brasil é possível, desde que sejam abandonados certas crendices e dê-se espaço para mais cabeças inovadoras, como Marcelo Oliveira e Cuca, que “professores” da velha guarda desçam do pedestal e admitam a necessidade de reciclagem. E, claro, quem comanda o nosso futebol passe dar o mínimo de atenção a ele.



Estudante de jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie e alucinado por futebol.