Vitória contra o Fluminense coloca o Inter na história do Brasileirão; entenda

Getty Images

Um extraterrestre que pisasse em Porto Alegre ao fim do jogo do Inter, no último domingo, poderia imaginar estar diante de uma comoção coletiva devido a uma catástrofe que acabara de acontecer. Muita gente chorando, se abraçando, com as feições mais sérias que o normal, enfim, uma mobilização mesmo. Sentia-se algo maior no ar.

Caso esse extraterrestre realmente existisse e pensasse isso, acertaria 50% do cenário: realmente, todos ali estavam eufóricos, vivenciando um momento catártico. Mas não era por causa de algo ruim, pelo contrário. As lágrimas, abraços e vibrações eram de alegria e, principalmente, de alívio.

A vitória do Inter sobre o Fluminense, somada à derrota do Cruzeiro para o Flamengo, recolocou o colorado nos eixos no Brasileirão. Não somente pela retomada da diferença de seis pontos para o líder, como pelo modo que o time conseguiu o trunfo.

Baqueado com a goleada sofrida para a Chapecoense na rodada anterior, a equipe gaúcha só não entrou em campo mais desanimada porque o Beira-Rio estava lotado e Nilmar, a grande contratação do clube na temporada poderia estrear a qualquer momento.

Além desses dois fatores, o golaço de Alex, que abriu o placar, mais o também belíssimo gol de Valdívia, imediatamente após o Fluminense ter empatado, causou no estádio uma histeria coletiva que havia muito tempo não se sentia. Talvez a última vez tenha sido na conquista da Copa Sul-Americana de 2009, quando o time conseguiu, na prorrogação de um jogo truncadíssimo, a vitória e o título diante do Estudiantes-ARG.

Tanto Alex, quanto Valdívia, são dois jogadores extremamente importantes para o elenco do Inter. O primeiro pode ser considerado um ídolo colorado, devido ao número de jogos que fez com a camisa do Inter, os títulos que conquistou, a importância moral que tem no grupo e a qualidade técnica apurada.

Já o segundo era enxergado, até pouco tempo, como a sensação da equipe. Artilheiro da Copa São Paulo de Futebol Júnior deste ano, foi promovido aos profissionais com toda a pompa do mundo. Porém, pegou o bonde andando e já teve que tomar para si uma pressão que vem de uma época em que ele sequer era nascido. Isso o atrapalhou consideravelmente.

Não fossem os títulos continentais e do Mundial, conseguidos na última década, o Inter teria hoje, certamente, a mesma fama ruim que acompanha o Botafogo, por exemplo, ou seja, um clube que vive apenas e sumariamente de seu excepcional passado.

Sem conquistar o Brasileiro desde 1979, quando Falcão ainda defendia as cores alvirrubras, o Inter carrega consigo uma auto-cobrança para sair dessa incômoda fila e, nos últimos tempos, não tem medido esforços para tal.

Sempre monta times fortes, investe em jogadores de ponta e mantem aqueles que considera peças importantes. Um jogador do porte de um D’Alessandro, por exemplo, ser mantido tanto tempo no clube é algo que representa muito mais do que a valorização de um jogador identificado com a torcida: demonstra uma vontade acima do normal de fazer valer seu hino e voltar a ser a “glória do desporto NACIONAL”.

Humano, demasiado humano

Alex e Valdívia foram não somente aqueles que decidiram o jogo para o Inter, mas também, aqueles que mostraram ao Brasil inteiro que são feitos de carne e osso, que falham, mas que têm honra o suficiente para segurar qualquer rojão.

Para um homem chorar é bem difícil. Em público, então, quase impossível. Diante de 50 mil pessoas, inimaginável. O rio de lágrimas no Beira-Rio pode ser visto como o símbolo máximo da aproximação de um esgotamento psicológico.

Contudo, também não é injusto dizer que pode ser a constatação de que o futebol é mais do que um esporte: é a vida de muitos.

O Inter pode não ser o campeão. Mas já marcou seu lugar na história do Brasileirão 2014.

Crédito da foto: Getty Images



Tudo o que preciso é um papel e uma caneta. Apaixonado por esportes desde 1900 e bolinha: de futebol, basquete, tênis, rugby...