Titulares e jogo aéreo salvam jogo do Cruzeiro contra ABC-RN

Qualquer um que olhasse ontem que o Cruzeiro enfrentaria o ABC-RN, time da segunda divisão do Brasileiro, diria: vai ser um chocolate! Não seria absurdo tal fala, já que a Raposa tem sido, realmente, o bicho-papão do futebol brasileiro.

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Entretanto, já faz um certo tempo que a equipe tem encontrado adversários mais bem preparados para enfrentá-la e que isso a força a pensar em outros modos de jogar além das usuais tabelas rápidas e infiltrações de seus jogadores de frente.

Ontem, diante do ABC-RN, foi justamente isso o que aconteceu. Em primeiro lugar, Marcelo Oliveira teve de botar em campo três dos titulares poupados no início da partida para melhorar a dinâmica do jogo, que não fluía nos pés de Willian, Marlone e Dagoberto.

Depois contou com a sempre boa jogada aérea e a impulsão do zagueiro Léo para sair do zero no placar. É válido, inclusive, ressaltar que a torcida demonstrou-se impaciente com o time o tempo inteiro, vaiando os atletas em diversas ocasiões, claramente incomodada com o 0x0 no placar e a dificuldade do time em se acertar.

Realmente, no primeiro tempo e durante boa parte do segundo, o Cruzeiro estava irreconhecível. Errando muitos passes, as jogadas do time não saíam nem por decreto oficial. Marlone era um dos que mais cometia equívocos, vindo a ser um dos mais cobrados pelos gritos da arquibancada.

Willian, que em um passado não muito distante já foi carinhosamente chamando de “Bigodinho”, era outro que pouco produzia de útil. Dagoberto, sempre raçudo, chegou a demonstrar irritação em um dado momento e, depois de uma falta dura, recebeu cartão amarelo.

O desafio do Cruzeiro agora, neste fim de temporada, é não cair na armadilha de achar que precisa atropelar todo mundo que aparece. Isso trava o processo criativo da equipe e faz com ela se desconcentre nas partidas. O mesmo serve para a torcida, que mal-acostumada com o desempenho do clube nos últimos tempos, passou a ser intolerante em momentos menos brilhantes do time.

O resultado, apesar de magro, foi muito bom, afinal, sem sofrer gols em casa, basta que se balance as redes do alvinegro capixaba daqui a duas semanas para praticamente garantir a vaga nas semis.

Entretanto, está sendo provado, jogo por jogo, que os desafiantes da Celeste não vão mais somente respeitá-la: eles vão querer mostrar que sabem brigar com gente grande. Então só vai restar ao Cruzeiro mostrar que não somente é grande, mas um gigante. E botar as cartas na mesa.



Tudo o que preciso é um papel e uma caneta. Apaixonado por esportes desde 1900 e bolinha: de futebol, basquete, tênis, rugby...