Repórter da Band relembra dia em que revelou ser palmeirense

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Do interior do Paraná para um dos principais nomes do rádio esportivo do Brasil. Esse é André Galvão. O apresentador do programa esportivo “Papo de Craque” na Rádio Transamérica e repórter da TV Bandeirantes conversou com o Torcedores.com e contou sobre a carreira, sua avaliação sobre o “novo jornalismo” e relembrou o dia em que revelou ser palmeirense na despedida do goleiro Marcos.

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Confira a entrevista na íntegra:

Torcedores.com: Como foi o seu começo de carreira? Você sempre quis ser jornalista?
André Galvão: Eu não tinha a menor ideia do que eu iria fazer da minha vida. Quando eu tinha mais ou menos uns 12 anos de idade, veio na cabeça de ser jornalista esportivo. Porque na verdade meu pai se arrependia de não ter sido jornalista esportivo. Ele sempre gostou muito de futebol, mas não seguiu a profissão. Então a partir dali, essa vontade cresceu dentro de mim e eu resolvi que essa seria a minha profissão.

Torcedores.com: Você lembra qual foi a sua primeira cobertura esportiva?
André Galvão: Eu sou de São Paulo, mas fui criado em Londrina, no interior do Paraná. Então eu estudei na UEL (Universidade Estadual de Londrina) e consegui meu primeiro emprego na Rádio Brasil Sul. Foi uma experiência muito legal, porque eu comecei a cobrir o Londrina na Série B de 2002. Eu considero que foi um período fantástico e que me ajudou muito.

Torcedores.com: Como você chegou à Transamérica?
André Galvão: Eu cheguei a São Paulo em 2003. Em uma noite comecei a ouvir o jogo São Paulo x Santo André pelas quartas de finais do Paulistão daquele ano e marquei todas as rádios que estavam transmitindo aquela partida. No dia seguinte, eu peguei a lista telefônica e anotei todos os endereços das emissoras e fui pedir emprego.

Na minha visão, acredito que essas coisas acontecem por Deus, não tem explicação. A Transamérica foi um lugar que deu certo. No mesmo dia que eu vim aqui para entregar meu currículo e conhecer a rádio, o Éder Luis estava aqui e eu parei ele, nós conversamos muito e ele gostou de mim. Enfim, ele me chamou para ficar vindo aqui na emissora para conhecer como era o trabalho até que ele me contratou e eu estou aqui até hoje.

Torcedores.com: Como você parou na televisão?
André Galvão: O Neto e o Felipe Kieling me indicaram para trabalhar como repórter. Eu fiz um teste e achei que não tinha dado em nada. Para ser sincero, eu não lembrava que tinha feito o teste, aí um belo dia os caras da Band me ligaram e falaram que eu tinha sido aprovado.

Torcedores.com: Na coletiva de despedida do Marcos em 2012, você deixou bem claro que era palmeirense. Chegou a receber alguma advertência na rádio ou da Associação dos Cronistas Esportivos de São Paulo?
André Galvão: Em não tomei nenhuma bronca. Foi uma entrevista coletiva muito diferente das outras. O Marcos tinha e tem até hoje um carinho muito grande da imprensa esportiva e eu não fui o primeiro a declarar a minha admiração por ele. Outros repórteres que são palmeirenses e outros que não são também falaram coisas bonitas para ele.

Enfim, eu sempre tive admiração pelo cara, mas foi a única vez que eu resolvi falar alguma coisa. Eu defendo a minha atitude porque aquele era o fim da carreira do Marcos. É diferente de você chegar a algum jogador que está no auge da carreira e falar isso para o cara, até porque, se um dia mais tarde o cara errar e você falar algo, o torcedor vai arranjar um motivo para te criticar.

Torcedores.com: Após uma derrota, quem é mais difícil de entrevistar, Muricy, Leão, Luxemburgo ou Felipão?
André Galvão: Pode parecer estranho, mas o Muricy é muito mais difícil quando ganha. Se ele perde…vem mais sereno. Acho que o Luxemburgo é o mais difícil. Toda vez que ele perde, ele tenta levar para outro lado. Com o passar do tempo ele melhorou, mas eu não convivo mais com ele. Faz tempo que a gente não trabalhar com o Luxa no futebol paulista. Observando a distância, parece que ele melhorou esse lado, mas do tempo que eu convivi, acredito que o Luxemburgo seja o mais complicado de lidar após uma derrota em campo.

Torcedores.com: Você faz parte dessa nova geração do jornalismo, qual é a diferença positiva e negativa que os novos têm em relação à velha guarda?
André Galvão: Uma coisa que me incomoda na velha guarda é o saudosismo. Eu concordo que antigamente as relações com os jogadores e os próprios jogos eram melhores, mas hoje em dia não é mais assim. Eu respeito, mas me incomoda. Eu não gosto de enaltecer o passado como se nada no presente fosse bom.

Hoje em dia, a nossa relação é menos compromissada. Digo que profissionalmente as coisas evoluíram. Não tem jeito, quando você tem amizade com alguém o jeito de criticar é diferente.

O lado negativo, eu acho que fica por conta de divulgar notícias sem critério. Hoje em dia, a gente solta muita coisa na mídia sem nenhuma avaliação. A velocidade da internet é muito veloz e a mentira acaba virando verdade. E a velha guarda como não tinha isso é mais criteriosa nesse sentido. Ela pesquisava mais e isso ajudava muito. Eu sempre falo isso, o “novo jornalismo” precisa aprender a lidar com essa ferramenta fantástica chamada internet.

Torcedores.com: Quem seria a sua mesa redonda favorita?
André Galvão: Eu escolho o Neto por achar que ele enxerga o jogo como ninguém. O PVC por ser um profissional fantástico, o José Kalil por me ensinar muita coisa na carreira e o Milton Neves por achar que ele é um Deus da Comunicação.

Torcedores.com: Você pode passar alguma dica para quem está pensando em cursar a faculdade de jornalismo ou quem está na faculdade e sonha em trabalhar com esportes, principalmente nessa área de futebol?
André Galvão: Você tem que ter no sangue o jornalismo esportivo, que é diferente de quem tem o futebol. Muita gente começa a fazer jornalismo esportivo porque é fanático por futebol. O futebol é muito legal, atraente e parece um sonho, mas o cara ele tem que entender que esse mundo de sonhos é feito com muito sacrifício.

Torcedores.com: Para encerrar, tem alguma história que ficou marcante como torcedor?
André Galvão: Uma coisa que marcou muito foi a final da Copa América de 2007. Esse foi o primeiro evento que eu fiz pela Transamérica e aí eu aprendi a torcer pela Seleção Brasileira, que é completamente diferente de torcer pelo Brasil. Quando você está representando o nome do seu país, carregando o nome de uma emissora, convivendo com outros profissionais que estão representando seus países você percebe o quanto aquilo fica sério.

E do jeito que foi a competição com a seleção do Dunga perdendo no começo, você começa a virar alvo de piada. Então, quando rolou a final contra a Argentina, eu me lembro dos jornalistas argentinos chegando com câmeras e microfones e perguntando descaradamente para a mídia brasileira de quanto o Brasil iria perder da Argentina. E aquilo subiu muito o sangue.

No dia do jogo, no estádio Olímpico de Maracaibo, os brasileiros ficaram acima da imprensa argentina. O Brasil fez um gol logo de cara, aos 45 segundos de jogo com o Júlio Baptista e isso fez com que nós gritássemos na orelha deles alucinadamente. Todos nós da imprensa estávamos babando para vencer a Argentina. Foi aquele desabafo de respeitar o Brasil no futebol. Foi o dia mais feliz da minha vida como torcedor.

Foto: Reprodução/Twitter



Sou formado pela FMU e minha última passagem no mundo esportivo foi no site Universo dos SPorts. No começo da carreira trabalhei como apresentador no programa "Olé" da ALLTV. Agora assumo a responsabilidade de produzir matérias para o site "torcedores.com". Sou apaixonado por esportes e respiro futebol e NFL 24 horas por dia.