Relembre as conquistas e decepções dos últimos presidentes do Palmeiras

Paulo Nobre
Divulgação/Palmeiras

O Palmeiras vai eleger no próximo dia 29 de novembro seu primeiro presidente pelo voto direto dos associados. Paulo Nobre, atual mandatário, tenta a reeleição contra Wlademir Pescarmona.

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O escolhido pelos mais de 10 mil sócios do Verdão terá a missão de levantar o orgulho do torcedor, ferido por diversas crises nos últimos 15 anos.

O Torcedores.com faz agora um levantamento sobre as últimas gestões desde 1993, quando o Palmeiras saiu da fila de títulos de 16 anos com a conquista do Paulistão em cima do Corinthians.

Ao longo desses 21 anos, uma geração inteira de palmeirenses cresceu acostumada inicialmente a uma fase gloriosa, mas passou uma juventude marcada por fracassos, goleadas para times como o Mirassol e dois rebaixamentos.

Mustafá

Mustafá Contursi – 1993 a 2004

Contexto: Assumiu o clube quando a Parmalat fazia a gestão do futebol, acordo assinado pelo presidente Carlos Facchina Nunes. Comandou o Palmeiras por quatro anos após o fim da parceria com a multinacional italiana.

Conquistas: 1 Libertadores (1999), 2 Brasileiros (1993 e 1994), 3 Paulistas (1993, 1994 e 1996), 1 Copa Mercosul (1998), 2 Torneios Rio-São Paulo (1993 e 2000), 1 Copa do Brasil (1998), 1 Copa dos Campeões (2000), 1 Série B (2003)

Decepções: Comandou a política do “bom e barato” após a saída da Parmalat, investindo poucos recursos no futebol. O resultado foi o rebaixamento para a Série B no Brasileirão de 2002, apenas dois após a saída da parceira, e três anos após a conquista da Libertadores. Chegou a cogitar uma virada de mesa para manter Palmeiras e Botafogo na elite após o fracasso. Viu o time tomar 7 a 2 do Vitória em casa na Copa do Brasil do ano seguinte, competição da qual o time havia sido eliminado na edição anterior pelo Asa de Arapiraca na primeira fase.

Atualmente: É alvo de muita raiva por parte da torcida palmeirense até hoje, mas detentor de amplo capital político dentro do clube. Ajudou a eleger três dos quatro vencedores nas eleições seguintes, inclusive o atual, Paulo Nobre.

Della Monica

Affonso della Monica – 2004 a 2008

Contexto: Aliado histórico de Mustafá Contursi, foi o candidato dele na primeira eleição em que o antigo mandatário abriu mão do cargo. Foi eleito para manter a política do “bom e barato” instalada pelo antecessor. No segundo mandato, rompeu com o aliado e se aproximou do grupo opositor.

Conquistas: Renovou a esperança dos torcedores ao fechar a parceria com a Traffic, que investiu na contratação de jogadores e montou um time forte nas temporadas de 2008 e 2009. Campeão paulista de 2008, encerrando um período de oito anos sem títulos de elite. Aprovou e fechou o contrato com a WTorre para a construção do novo estádio, hoje chamado de Allianz Parque. Antes, terminou a reforma do gramado e criou o Setor Visa no velho Palestra Itália.

Decepções: Viu o time naufragar duas vezes seguidas diante do São Paulo na Libertadores, em 2005 e 2006, por pura incapacidade dos elencos que o Palmeiras teve nesses duelos. Em um deles, o Verdão chegou a atuar nas oitavas de final da competição continental, contra um de seus maiores rivais, comandado por um interino. A parceria com a Traffic animou a torcida, valeu o título paulista e a volta de Vanderlei Luxemburgo ao comando técnico, mas se revelaria um problema mais tarde.

Atualmente: Ainda é um nome forte nos bastidores do Palmeiras. Já foi aliado de Belluzzo e Tirone.

Belluzzo

Luiz Gonzaga Belluzzo – 2009 a 2010

Contexto: Cotado para assumir um cargo na área econômica durante o Governo Lula (2003-2010), Belluzzo optou por concorrer à presidência do Palmeiras. Teve amplo apoio da torcida palmeirense e sempre foi muito identificado como um apaixonado pelo clube. Era representante do grupo político contrário a Mustafá Contursi. Até hoje é reverenciado por parte dos torcedores, como no evento-teste que abriu o Allianz Parque, em setembro passado.

Conquistas: Deu início, após muito atraso, às obras do Allianz Parque. Trouxe antigos ídolos de volta ao clube, como Luiz Felipe Scolari, Valdivia e Kleber Gladiador. Acabou sendo mais lembrado mais pelo que fez na época da Parmalat do que por sua gestão como presidente.

Decepções: Injetou enorme quantidade de dinheiro em contratações e salários com o objetivo de fazer o Palmeiras voltar a ser um clube vencedor. Acabou vendo o time amargar a quinta posição no Brasileirão de 2009 depois de liderar a competição por 19 rodadas. Demitiu Vanderlei Luxemburgo por causa do atacante Keirrison, que negociava com o Barcelona e seria colocado na reserva pelo treinador. Contratou Muricy Ramalho a peso de ouro quando Jorginho, o interino, fazia o time engrenar. Demitiu Muricy após uma goleada diante do São Caetano por 4 a 1 no Palestra Itália, pagando uma enorme multa ao treinador. Contratou Antônio Carlos Zago e o mandou embora meses depois, deixando no ar a ideia de que teria escolhido um nome tampão até a volta de Felipão, após a Copa do Mundo de 2010. Perdeu a cabeça em alguns momentos, como quando ofendeu o árbitro Carlos Eugênio Simon após um jogo polêmico em que o Palmeiras se sentiu prejudicado diante do Fluminense. Provocou polêmica até com a torcida dos rivais, após aparecer em vídeo dizendo “vamos matar os bambis” para a torcida palmeirense. Foi substituído nos últimos meses por Salvador Hugo Palaia, após um afastamento médico.

Atualmente: é candidato à vice-presidência do Palmeiras na chapa de Wlademir Pescarmona.

Tirone

Arnaldo Tirone – 2011 a 2013

Contexto: Diante do fracasso da gestão Belluzzo, acabou surfando na onda do apoio de Mustafá, que acabou fortalecido com a má fase do adversário. Rompeu em pouco tempo com o ex-presidente, enfrentando isolamento político no comando do clube. Nem concorreu à reeleição.

Conquistas: Campeão da Copa do Brasil de 2012

Decepções: Não conseguiu em momento algum estabilizar o ambiente no clube, que teve pressões de torcedores sobre jogadores, agressões, saídas de atletas, etc. Sob seu comando, o Palmeiras foi rebaixado à Série B pela segunda vez na história, em 2012, meses após a conquista da Copa do Brasil, o título mais importante do clube desde a Libertadores de 1999. Contratou atletas desconhecidos que logo acabaram na mira dos torcedores, investiu em nomes como Daniel Carvalho, Wellington Paulista, Lincoln, Max Pardalzinho, entre muitos. Acabou tão sem moral no clube que nem sequer disputou a reeleição. Nos últimos dias de gestão, o Conselho é quem decidia sobre as contratações para a temporada de 2013, tamanho o isolamento. É hostilizado até hoje pelos torcedores.

Atualmente: tem atuação discreta e concede entrevistas raramente para falar sobre o time.

Nobre

Paulo Nobre – 2013 até agora

Contexto: Foi eleito com um discurso de renovação, já que havia sido o candidato derrotado por Tirone em 2011. Herdou um clube afundado em dívidas e pregava uma revolução nas finanças. Era bem visto por alguns torcedores pelo seu fanatismo pelo Verdão, sendo apelidado de “Palmeirinha” nas competições de rali quando era piloto.

Conquistas: Campeão Brasileiro da Série B 2013. Trouxe de volta ao clube José Carlos Brunoro, homem forte da Parmalat nos tempos de gestão da multinacional no futebol do Palmeiras, com a intenção de profissionalizar o departamento. Impulsionou o programa de sócio-torcedor Avanti, bem como a TV Palmeiras.

Decepções: Contratou dezenas de jogadores que não emplacaram, prejudicando justamente a área das finanças. Emprestou ao clube cerca de R$ 100 milhões, o que não pode ser considerado algo positivo, como já atestaram outros clubes, como o Santos na gestão de Marcelo Teixeira. Apostou em um nome estrangeiro para comandar o time no meio deste ano, o argentino Ricardo Gareca, mas não deu tempo ao treinador diante da ameaça de um terceiro rebaixamento e acabou optando pela demissão. Fez, até aqui, um ano do centenário extremamente decepcionante para os torcedores. Não conseguiu, em quase dois anos de gestão, acertar um contrato de patrocínio master fixo.

Atualmente: é candidato à reeleição no pleito de novembro. Será o presidente que inaugurará o Allianz Parque dias antes.



Editor do Torcedores.com, está no site desde julho de 2014. Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, já passou por UOL, Editora Abril e Rede Record. Participou da cobertura da Copa do Mundo de 2014, de dois Pans, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e do Rio 2016. Também colabora com o ONDDA, site "irmão" do Torcedores.com.