Opinião: Orgulho do torcedor está em jogo nas eleições do Palmeiras

Paulo Nobre
Divulgação/Palmeiras

O Palmeiras conheceu na última segunda-feira (13), de maneira oficial, os dois candidatos à presidência do clube nas eleições que serão disputadas no dia 29 de novembro. Paulo Nobre, atual mandatário, e Wlademir Pescarmona, vão disputar os votos de mais de 10 mil associados do clube alviverde.

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A primeira eleição direta da história do clube representa um avanço espetacular na democracia do Palmeiras. A escolha do homem que ficará responsável pelos sonhos de 16 milhões de torcedores agora ficará a critério de todos os sócios, aqueles que contribuem para o desenvolvimento do clube, e não apenas para as mesmas panelas de sempre.

Se no passado bastava costurar alguns acordos, agora a eleição se encontra mais imprevisível. Quem poderá medir a força e a intenção de 10 mil palmeirenses?

Paulo Nobre surge como a continuidade de um projeto iniciado em 2013, que visa à recuperação financeira do clube, mas acabou evoluindo pouco, para não dizer nada, em termos futebolísticos.

O Palmeiras fracassou, deu vexames como as goleadas diante de Mirassol e Goiás, caiu fora da Copa do Brasil duas vezes nas oitavas de final, e agora passou a maior parte do Brasileirão ameaçado pelo rebaixamento.

Do outro lado, Pescarmona traz consigo na chapa a figura do ex-presidente Luiz Gonzaga Belluzzo como seu vice. Ambos representam um grupo que não poupou esforços e investimentos para fazer os títulos ressurgirem, mas acabaram vendo o time afundar, como no Brasileirão de 2009.

Depois de um centenário constrangedor, no qual até agora o maior orgulho que o torcedor pôde ter é a reta final das obras do Allianz Parque, o novo estádio do Palmeiras, o próximo presidente terá a missão de recuperar o orgulho de ser palmeirense.

Não que ele esteja morto, muito pelo contrário. Ser palmeirense é uma honra que só quem é pode sentir. Mas aquela sensação de se sentir representado pelos 11 jogadores que vestem a camisa verde em campo, essa sim, acabou há tempos.

Os 10 mil sócios vão escolher entre um projeto que parece ser promissor para o fim das dívidas do clube, mas essencialmente personificado na figura de Paulo Nobre, com aquela velha prática do dirigente que coloca seu próprio dinheiro na gestão – e dela acaba virando credor, e outro, que já fez muito mal aos cofres da instituição, mas deu momentos de esperança aos torcedores.

Lá se vão 15 anos desde o título da Libertadores de 1999. Após aquela conquista, o Palmeiras comemorou apenas duas taças da Série B, uma Copa do Brasil e um Paulistão. O que será que o torcedor palmeirense, principalmente o sócio, vai preferir no ano que vem, o primeiro completo com a arena? A resposta virá no dia 29 de novembro.

Crédito da foto: Divulgação/Palmeiras



Editor do Torcedores.com, está no site desde julho de 2014. Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, já passou por UOL, Editora Abril e Rede Record. Participou da cobertura da Copa do Mundo de 2014, de dois Pans, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e do Rio 2016. Também colabora com o ONDDA, site "irmão" do Torcedores.com.