Opinião: Inter é o time mais pipoqueiro da história recente do Brasileirão

Inter

Tudo começou em maio, na sétima rodada. Na época o Inter estava invicto no campeonato, com três vitórias e três empates. As coisas começaram bem no estádio Centenário, em Caxias. Wellington, volante recém-chegado abriu o placar e as coisas pareciam se encaminhar para o desfecho mais perfeito de todos: vitória e aproximação ao já líder Cruzeiro.

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Mas os Deuses do futebol assim não quiseram, e ainda no primeiro tempo daquele fatídico dia, os azuis de Minas viraram o placar e, no segundo tempo, confirmaram a vitória por 3×1. Começou ali a saga do Colorado no mar de pipoca que já estivera outrora, muitas e muitas vezes.

Já perdi as contas de há quantos anos escuto a crônica esportiva colocar o Inter como um dos favoritos ao título Brasileiro. Não que o time não tenha chegado próximo a conseguir o feito em alguma dessas ocasiões, mas nunca o conquistou e em todas – não adianta negar, foram TODAS mesmo – não conseguiu devido à perda de pontos para concorrentes diretos ou derrotas para equipes sem pretensões nenhuma no campeonato em um momento crucial para a definição de com quem ficaria o caneco.

Em 2005, ano em que houve o escândalo de manipulação de resultados, o Inter teve a chance mais clara, quando na última rodada encarou o Coritiba, que brigava para não cair, enquanto o Corinthians, seu principal concorrente pegou o Goiás, no Serra Dourada, que não ia nem cair e nem fazer nada demais, mas tinha um histórico de dificultar a vida de quem jogasse naquelas terras, independente da situação.

Bastava aos, na época, comandados de Muricy Ramalho, ganhar seu jogo e esperar que os esmeraldinos jogassem a costumeira água no chope de seu adversário para comemorar. Porém, em um jogo bastante nervoso, o Inter não conseguiu impor seu ritmo e acabou derrotado. O Corinthians também perdeu, mas mesmo assim foi campeão. E o Coritiba acabou rebaixado do mesmo jeito. Dureza.

Algo parecido aconteceu no ano seguinte. Apesar de em um cenário bem mais complicado, o Inter viu o São Paulo garantir o título na mesma rodada em que ele, único que poderia tirar o trofeu do Morumbi, perdeu para o Paraná Clube, que também brigava para não cair.

Em 2009, ano em que Grêmio, Palmeiras e São Paulo brigaram tanto pela conquista que ela acabou caindo no colo do Flamengo, o Inter chegou à última rodada precisando apenas vencer o Santo André (mais um que apenas lutava para não cair). Porém, dependia de uma derrota do Flamengo, que já era o líder, mas poderia acontecer, caso seu adversário não fosse…o Grêmio. É, nesse caso o Inter não teve muita culpa no cartório.

Na temporada atual, entretanto, o Colorado não apenas tem muita culpa, como praticamente assinou, de próprio punho, sua certidão de derrota e perda da possibilidade de quebrar o tabu sem conquista do Brasileirão, que vem desde 1979.

Além da derrota para o Cruzeiro, na 7ª rodada, a equipe empatou com o Fluminense duas rodadas depois, quando teve novamente uma grande chance de encostar no líder, já que a Raposa havia perdido seu primeiro jogo no certame, diante do Corinthians, na 8ª rodada. Também houve vacilo na 10ª rodada, derrota para o Corinthians, na 16ª rodada, derrota para o São Paulo, na 17ª rodada, derrota para o Atlético-MG e na 26ª rodada, derrota para, adivinhem? Cruzeiro de novo.

Todos esses jogos acima mencionados eram importantes, porque na época em que o Inter os teve pelo caminho, os times que enfrentou brigavam na parte de cima da tabela, cabeça a cabeça com os próprios gaúchos, tentando chegar o mais próximo possível do Cruzeiro. Em outras situações, no entanto, como nos casos de São Paulo e Atlético-MG, as derrotas do Colorado é que foram as responsáveis por colocar os times na briga.

Em qualquer campeonato que exista no mundo há aquele que é o fiel do balança, ou seja, o clube cujos resultados acabam decidindo o destino final de boa parte das equipes participantes. Em 2014, esse papel ficou a cargo do Inter. O único problema é que todos chegaram ou tendem a chegar aonde quiseram.

Menos o Inter.



Tudo o que preciso é um papel e uma caneta. Apaixonado por esportes desde 1900 e bolinha: de futebol, basquete, tênis, rugby...