Opinião: CBF não se importa com o futebol brasileiro

CBF

Se já não bastasse a má organização no campeonato nacional e a falta de profissionalismo dos dirigentes de clube, amistosos da seleção também irritam torcedores e influenciam resultados.

Que o futebol brasileiro está jogado às traças, não é nenhuma novidade. Os problemas que foram trazidos de volta à discussão graças ao movimento Bom Senso e depois pela goleada sofrida na Copa do Mundo há quatro meses estão cada vez mais evidentes a cada rodada do Campeonato Brasileiro. E quando tem jogo da amarelinha, nem se fala.

A arbitragem nada profissional que influenciou diretamente em diversos resultados nessa temporada, o calendário apertado e extremamente desgastaste para os jogadores, que pede por mudanças urgentes, e a dívida dos clubes que parece não encontrar maneira de ser resolvida, transformou o cenário do nosso futebol. É triste, mas é verdade.

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Mais triste ainda é ver a força que o nosso produto perdeu. Até porquê, quem mais deveria se preocupar com ele e colocar o Brasil de volta ao topo da lista dos maiores do mundo, parece estar alheia a essas situações. O importante mesmo afinal, é vender os jogos da seleção para algumas pessoas que moram do outro lado do mundo até 2018….ou 20?…ou 22? Não importa, eles realmente devem entender o que estão fazendo. Afinal, tudo vai muito bem, obrigado. Pelo menos nos cofres da CBF.

A dupla dinâmica formada pelos comandantes José Maria Marin e Marco Polo Del Nero mostram a cada dia o quanto estão despreocupados, não só ao que se passa no Campeonato Brasileiro, mas também dentro da seleção que eles tanto fazem questão de idolatrar.

Enquanto no Brasil necessita-se de uma mudança forte, inovadora e de alguém que a represente em todas as esferas da modalidade, um verdadeiro exemplo de renovação esportiva, volta o Dunga. Um treinador mal educado, inflexível, pragmático, antipático e teimoso. Mais um retrocesso bancado pela CBF. Aliás, o discurso agora é a continuidade do trabalho, algo que segundo Marin e Del Nero, sempre foi valorizado dentro da confederação. Esqueceram de avisar o Mano Menezes sobre isso.

O torcedor, aquele que acompanha e é apaixonado pelo seu time, o verdadeiro público alvo dos campeonatos nacionais, e não o “torcedor aventureiro” que aparece apenas durante a Copa do Mundo ou algo que o valha, perdeu completamente o interesse pela seleção. Comemorar vitória em amistoso é quase que passar de bobo numa conversa entre amigos. No final, quem passa de bobo mesmo são os jogadores convocados, que nada tem a ver com os contratados firmados pela CBF e além de desfalcarem seus clubes, são submetidos a longas viagens sem sentido e obrigados a jogar em campos piores (pasmem), daqueles que encontramos por aqui.

A conclusão é simples: Se é assim que a CBF trata a tão importante seleção brasileira que há tempos perdeu identidade com o seu povo, o estado em que se encontram nossos campeonatos nacionais não deveria ser surpresa alguma.

Deixemos de lado por um momento o absurdo (mais um) que é a não paralisação do campeonato em datas FIFA, como é feito em todo o mundo menos aqui. O Cruzeiro luta para manter a liderança e perde de uma só vez os dois principais jogadores da equipe. Ricardo Goulart nem saiu do banco e Everton Ribeiro jogou por 45 minutos. O São Paulo, na briga para se manter na caça ao líder, perde Kaká que é a grande referência da equipe e Souza, que teve poucos minutos dentro de campo.

O Corinthians que vive sua fase mais difícil no campeonato perde Elias e Gil, também referências no elenco.

Sem falar em Robinho, o grande responsável pelas últimas vitórias santistas e Diego Tardelli, talvez o melhor atacante em atividade no Brasil que desfalcou o Atlético Mineiro em confronto direto importante para entrar no G4.

Os jogos entre São Paulo x Atlético MG e Cruzeiro x Corinthians tiveram três e quatro desfalques, respectivamente, só na conta da seleção. Depois não querem que o torcedor fique irritado com o que vê e com o pedido de Dunga, para que torçam pela amarelinha, que, diga-se de passagem, deixou de ser importante para o torcedor faz tempo.

Fato importante e talvez o único nas duas apresentações do Brasil, foi Neymar se tornar o quinto maior artilheiro da história da seleção brasileira, passando Bebeto, com uma média de gols abaixo apenas de Romário e Pelé. As movimentações dentro do Brasil devem ser observadas e analisadas com muito critério, principalmente depois da Copa do Mundo e cobrada por mudanças como se vê nos últimos meses. A preparação é de longo prazo, quatro anos para ser mais exato, e enquanto não existirem pessoas qualificadas para botar ordem na casa, os problemas só tendem a se agravar e de nada irá adiantar contar os dias para 2018.

Foto: Getty Images



Jornalista Esportivo formado pelo Mackenzie e pela UCLA com passagem pela Rádio Bandeirantes, fundador do perfil Arquivo do Futebol (@futebolarquivo) e jornalista do MLS Brasil. Escreve para o Torcedores.com desde 2014. Twitter: @paulogcanova