Dunga dá padrão alemão à seleção brasileira e time evolui

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Bom começo, professor… Dunga começou contestado em sua nova era na seleção. A maioria foi contra sua volta, inclusive esse que vos fala. E mais uma vez, o treinador vai derrubando a desconfiança da torcida, da imprensa, dos adversários.

Melhor do que jogar bem, é jogar de uma forma diferente. Parece que Dunga estudou os modelos europeus que estão funcionando, estudou os alemães. Talvez a renovação que precisamos dependa da volta de medalhões. Não se transforma uma equipe sem ter os jogadores necessários para passar experiência durante essa transição. Kaká e Robinho são perfeitos para isso. Além de estarem jogando o fino da bola.

Hoje, temos um padrão de jogo diferente. Dunga entendeu as forças e fraquezas da seleção. Um sistema defensivo forte foi construído com laterais que se preocupam primeiro em marcar e, se houver a oportunidade, vão apoiar o ataque – e todos os convocados sabem fazer isso. O problema maior sempre foi a subida desenfreada dos laterais expondo todo o sistema brasileiro. Problema resolvido. Aliás, Daniel Alves e Marcelo não tem vaga nessa nova equipe que se forma.

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Na Copa do Mundo, Luiz Gustavo, Ramires, Paulinho, Fernandinho e até Oscar foram sacrificados pelos espaços deixados pelos laterais. A Alemanha foi campeã do mundo com uma linha de quatro defensores. Um sistema defensivo forte com um meio de campo de qualidade, dá liberdade para os jogadores pensarem em construir invés de destruir. É nítida a evolução de Oscar, Willian e Neymar com Dunga. A preocupação maior está na parte ofensiva.

E o Tardelli? Por que você o deixava fora, Felipão? Alan Kardec também merece uma oportunidade, mas Diego Tardelli trouxe leveza à equipe. Em 70, fomos tri sem um camisa nove de ofício. Repitamos isso com um jogador que se movimenta pelos lados e sabe colocar a bola pra dentro.

O sistema defensivo mais forte também tira um pouco da dependência de Neymar. O eterno menino da vila está desequilibrando, mas uma defesa menos exposta torna o time mais competitivo. Em 94, não tínhamos um jogador como Neymar, Rivaldo ou qualquer outro craque que levasse a bola chegando de trás. Nós tínhamos dois definidores excelentes e um sistema defensivo muito bem postado. Essa consistência levou ao tetra. Em 70 e 94, fizemos a maioria dos gols em contra-ataques. Acho que está na hora de assumir essa postura novamente…

Defender primeiro para atacar depois.

Por falar em Neymar, disseram que você não estava pronto para a camisa 10, hein? Agora falaram que você não tem o perfil de capitão da seleção brasileiro. O líder não é só aquele que fala, que grita, que reclama com o juiz. O líder também é aquele que chama a responsabilidade do jogo. O líder não desaba perante seus comandados. Neymar mostra que seu futebol cresce proporcionalmente aos desafios que aparecem pela sua frente.

Que venham muitos desafios para você, Ney…



Jornalista esportivo!