Deputados conseguem assinatura para protocolar a CPI do Mineirão

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O grupo de deputados estaduais Minas Sem Censura, que faz oposição ao atual governo de Minas Gerais, conseguiu uma importante vitória na última terça-feira. Os parlamentares obtiveram a última assinatura para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a parceria público privada (PPP) firmada entre o Governo do Minas e a Minas Arena, empresa que administra o Mineirão desde a conclusão das obras de reforma do estádio em 2013.

A suspeita é de que o processo licitatório de engenharia e arquitetura não tenha acontecido da forma correta, tendo custado cerca de R$ 19 milhões. “Este valor corresponde a quase o dobro do custo do projeto da Cidade Administrativa, feito pelo Niemeyer”, aponta o Deputado Estadual Rogério Correia, um dos requentes da CPI.

Segundo Rogério, o Minas Sem Censura teve acesso a uma auditoria crítica, que constatou superfaturamento, obras que não foram realizadas, mas que foram pagas pelo Governo do Estado, além da cláusula contratual que prevê um lucro garantido de R$ 7 milhões pelo governo do Estado. “Ou seja, se o negócio não der lucro quem paga a conta é o povo”.

O Governo do Estado e o consórcio Minas Arena ainda não se posicionaram sobre o assunto.

O processo que tramita na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) desde fevereiro, só agora conseguiu as 26 assinaturas necessárias para a abertura da CPI. Agora o presidente da ALMG recebe o pedido, confere as assinaturas e faz a leitura do requerimento. Após este processo os partidos tem 5 dias para indicar os membros da Comissão, para que seja dado inicio aos trabalhos.

Entenda o Caso

O Estádio Governador Magalhães Pinto, Mineirão, foi fechado para reforma em 2010. O Consórcio Minas-Arena, vencedor da licitação, fez a reforma e recebeu o direito de administrar o estádio por 25 anos. A obra foi estimada em 400 milhões, porém foram gastos mais de 770 milhões, financiados, em parte pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Estadual (BNDES).Após o término das obras, Cruzeiro e América-MG fizeram contratos comerciais com a administradora do estádio para mandarem seus jogos no Gigante da Pampulha.



Jornalista, amante do futebol e do Cruzeiro. Editor do Jornal a Voz.