Clima de preocupação com segurança ofusca estreia da Rússia na F1

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A Rússia recebe neste fim de semana pela primeira vez na história uma etapa do Mundial de Fórmula 1, no novo circuito de Sochi, cidade que este ano já recebeu os Jogos Olímpicos de Inverno. Mas a estreia russa na principal categoria do automobilismo está sendo ofuscada pelo clima de preocupação com a segurança dos pilotos após o acidente com Jules Bianchi.

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O francês da Marussia está internado no Japão desde o último domingo (5), quando seu carro aquaplanou na pista de Suzuka e bateu em um trator que retirava a Sauber de Adrian Sutil, que havia escapado no mesmo ponto na volta anterior. Bianchi foi atingido na cabeça pelo choque do carro com o trator, sofrendo uma lesão cerebral que em 90% dos casos deixa o paciente em estado vegetativo.

Durante a semana, a Fórmula 1 discutiu a introdução de uma proteção no cockpit para proteger a cabeça dos pilotos. Os piores acidentes nos últimos tempos na categoria aconteceram justamente porque foi essa a parte do corpo afetada pelos choques.

O caso mais recente, e até hoje não explicado, foi a batida da piloto de testes da própria Marussia, María de Villota, durante um evento da equipe. O carro teria acelerado em direção a um caminhão e a espanhola acabou atingida também na cabeça. O acidente provocou a perda de um olho, mas ela conseguiu se recuperar e viver uma vida relativamente normal, chegando inclusive a escrever um livro.

Antes do lançamento, porém, María de Villota foi encontrada morta no quarto de hotel em que estava hospedada para uma palestra. A morte teria sido provocada por consequências do acidente no organismo da espanhola.

Outro caso que chocou a F1 foi o acidente de Felipe Massa, em 2009. O piloto brasileiro foi atingido no capacete por uma mola que se desprendeu da Brawn GP de Rubens Barrichello.

O impacto fez com que Massa ficasse imediatamente desacordado. Por sorte, a Ferrari parou na barreira de pneus logo a frente, e nenhum outro acidente pior aconteceu. Massa se recuperou bem e voltou a correr meses depois, no início da temporada seguinte.

O espanhol Fernando Alonso, que vai deixar a Ferrari no fim do ano e ainda não tem destino certo para a próxima temporada, disse em entrevista ao site da revista Autosport que a Fórmula 1 deveria repensar o fim da pesquisa para implantação da proteção de cockpit.

“Eu tendo a concordar que nós deveríamos pelo menos checar e tentar, ou testar a ideia. Nós estamos em 2014, nós temos tecnologia, temos aviões e muitos outros exemplos que usaram isso com sucesso, então por que não deveríamos pensar nisso?”, questionou o bicampeão mundial.

Felipe Massa, que sentiu na pele a insegurança dos carros para impactos com a cabeça, reforçou a ideia do ex-companheiro de Ferrari. “Eu concordo totalmente com o Fernando, seria interessante tentar trabalhar com essa possibilidade”, afirmou o brasileiro. “Definitivamente, teria sido perfeito para o meu acidente. Para o Jules (Bianchi), eu não sei”, concluiu.

A dúvida no caso de Bianchi ocorre porque não havia marcas no capacete do piloto francês. A lesão cerebral que o deixou no estado atual de saúde pode ter sido uma consequência muito mais da desaceleração sofrida na batida, do que pelo impacto da cabeça.

O atual tetracampeão do mundo, Sebastian Vettel, disse que tem um misto de sentimentos em relação ao tema. “Desde o começo da F1, e corridas de fórmula (carros abertos), essa (cockpit aberto) é uma das coisas que fazem a categoria ser especial. Mas, por outro lado, como o Fernando falou, existe uma série de razões para observar e pensar em cockpits fechados no futuro”, disse o piloto da Red Bull.

Jenson Button, da McLaren, também se mostrou dividido, mas propenso a ser contra a ideia. “Existem coisas obviamente positivas em termos de segurança. Mas isso é F1, ela tem carros com cockpits abertos desde o começo da história, então é uma mudança muito grande para o esporte fazer”, afirmou.

Em meio a esse clima, o GP da Rússia terá seu treino classificatório disputado neste sábado (11), às 8h (horário de Brasília). O SporTV transmite a sessão na íntegra, enquanto a TV Globo exibe apenas a parte final, às 8h40. No domingo, a corrida começa a partir das 8h, com transmissão da Globo.



Editor do Torcedores.com, está no site desde julho de 2014. Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, já passou por UOL, Editora Abril e Rede Record. Participou da cobertura da Copa do Mundo de 2014, de dois Pans, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e do Rio 2016. Também colabora com o ONDDA, site "irmão" do Torcedores.com.