Estrutura precária e desorganização: bastidores de um jogo de futebol feminino no Brasil

Torcedores.com

Recentemente pude acompanhar o jogo entre Portuguesa e Centro Olímpico em jogo válido pelo Brasileirão feminino e nas questões extra-campo vi de perto o que muitos reclamam na modalidade. A falta de comprometimento e estruturas quanto ao futebol feminino.

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Primeiramente, o que eu posso relatar é que acompanhei o jogo dentro de campo, mais precisamente ao lado do banco de reservas e que ninguém responsável pelo credenciamento, na hora da entrada, estava lá para barrar algum intruso. Ou seja, qualquer torcedor que estivesse trajado de uma forma mais correta e se passasse por alguém da imprensa, poderia assistir a partida tranquilamente atrás das quatro linhas. Só para se ter ideia, tente fazer isso em um jogo do Brasileirão masculino. Você é barrado imediatamente.

Outro caso que pude acompanhar é que para casos de substituição, não existia placar eletrônico e sim placas de madeiras. Algumas jogadoras do Centro Olímpico utilizam números grandes, por exemplo, 90, 77, 80… e quando o quarto árbitro, percebeu isso e viu que nas placas não teria a numeração das atletas, pensou: e agora. O mesmo árbitro virou para nós jornalistas e falou: “É por isso que o futebol feminino no Brasil não cresce, p…”. Assim, tiveram que improvisar. Vale lembrar que era um jogo televisionado.

O juiz da partida Vinicius Furlan, que diga-se de passagem, é conhecido por apitar grandes jogos de futebol masculino, quando viu que não havia placar eletrônico, não fugiu muito do que disse o quarto árbitro. “Esse é o futebol feminino no Brasil”, disparou.
No mais, o jogo foi tranquilo e o gramado do Canindé estava em perfeitas condições para a partida entre as equipes.

Claro, isso foi o que eu pude notar no extra-campo da partida. Logo após o jogo, tive a oportunidade de conversar com as jogadoras da seleção e do Centro Olímpico Erika e Cristiane, e quando perguntei sobre as estruturas do Brasil e o do exterior, a segunda já foi logo me cortando e falando que não há comparação. Pois é, eu já esperava isso, mas quis ouvir o que elas tinham para falar.

Ambas jogadoras falaram que a valorização do futebol feminino no Brasil ainda é pequena e que se tivessem o apoio dos grandes clubes na modalidade, seria bem mais fácil o crescimento da modalidade.

E elas estão certas, acredito que os altos salários e o preço dos jogadores no mercado façam com que os clubes não invistam no futebol feminino. Também acho que as equipes não teriam problemas em planejar algo para as meninas, mas eles estão preocupados mesmo é com a futebol masculino.

Para não falar que times não investem no futebol feminino, de 40 clubes das séries A e B, apenas 8 possuem a modalidade. Isso é um assunto que, com certeza, daria uma longa discussão, mas vim mesmo para relatar o que acompanhei em minha primeira cobertura do futebol feminino.

Enfim, quanto a questão da entrada “livre” da imprensa e a falta do placar eletrônico para muitos pode parecer algo “besta”, mas essas são condições que não faltam em um jogo de Brasileirão masculino. Então, acredito que são das coisas básicas as mais evoluídas que se começa a valorização do futebol feminino. E infelizmente nem a básica fizeram.



Jornalista. Como todo torcedor também gosto de dar meus pitacos. Fã da seleção italiana, do Milan e do Arsenal.