Veja como a Ebola já está prejudicando o futebol africano

A epidemia de Ebola que atinge boa parte do continente africano é uma realidade de conhecimento mundial e já provocou, segundo dados da Organização Mundial de Saúde, 2400 mortes em mais de 4784 casos, tornando-se a maior epidemia do gênero na história da África.

Além das milhares de vidas atingidas direta ou indiretamente pelo vírus, a doença está colocando em risco a sobrevivência do futebol naquela parte do mundo. Guiné e Serra Leoa, dois dos três países mais afetados da África pela epidemia, têm passado muitas dificuldades para disputar as eliminatórias para a Copa Africana de Nações.

O caso de Serra Leoa, por exemplo, é o que mais chama a atenção. Nas duas partidas realizadas até agora, a seleção foi derrotada e, embora tivesse o mando de campo na última, contra a República Democrática do Congo (Serra Leoa foi derrotada por 2 a 0) se viu impedida de disputar a partida em casa.

No jogo de estreia contra a Costa do Marfim (Serra Leoa foi derrotada por 2 a 1), por exemplo, o adversário foi praticamente obrigado pela Confederação Africana de Futebol a abrir suas fronteiras para aceitar os leonenses. A situação, segundo Kei Camara, capitão de Serra Leoa, é absurda: “É como se estivéssemos todos impuros e doentes”, disse o ex-jogador do Middlesbroug-ING.

O próprio Camara, aliás, sofreu na pele os problemas dessa situação. Ele e seus 19 colegas de seleção estão radicados nos Estados Unidos e na Europa, mas só puderam defender sua seleção porque estão há pelo menos 21 dias sem ter contato com sua terra natal ou com qualquer pessoa que tenha estado lá recentemente.

Como se não bastasse o drama de algumas seleções, cujas sedes estão localizadas em polos da doença, a CAF admite que, caso não se controle o problema, a Copa Africana de Nações de 2015 pode ocorrer com todos os jogos tendo seus portões fechados. Tanto no futebol quanto fora dele, a África já está perdendo para a Ebola.

Foto: Getty Images