Saiba quem pode assumir o posto de ídolo no MMA quando os veteranos do Brasil se aposentarem

Anderson Silva, Rodrigo Minotauro e Wanderlei Silva formam a santa trindade dos ídolos brasileiros que ainda estão em atividade no MMA. Mas não vai demorar muito para que eles pendurem as luvas.

Embora o MMA esteja consolidado no Brasil há muito tempo, ídolos nunca são demais para manter a modalidade “viva”, principalmente em um país em que a maior parte dos torcedores não gostam de esporte e sim de vitórias. Por mais que seja pequeno, existe o risco de o MMA minguar um pouco no Brasil.

Acredito que se existisse um herdeiro para Gustavo Kuerten, o tênis ainda seria febre, por exemplo. Não alguém que apenas ocupe espaço, mas, importantíssimo, alguém que siga o rastro das vitórias.

É claro que o MMA não vai acabar no Brasil, até pelo enorme número de bons lutadores. Mas candidatos a ídolo, mesmo, são poucos. Vejamos:

A bola verde e amarela da vez no UFC é José Aldo. Campeão dos pesos penas, o manauara é um furacão dentro do octógono. Mas fora… Falta um pouco de carisma a Aldo, e isso não é culpa dele, mas da equipe que gerencia sua imagem. Aldo está longe de ser um Anderson Silva nesse aspecto. Não tem a história de superação de vida de Minotauro, nem a aura de “bad boy” de Wanderlei. É José Aldo e ponto. Carisma é parte importante para a formação de um ídolo.

A seguir temos Vitor Belfort, desafiante ao cinturão dos médios. O “Fenômeno” é o típico caso que divide opiniões: há quem ame e há quem odeie. Por essa falta de unanimidade, não o vejo como o melhor candidato a preencher a lacuna que ficará após as aposentadorias de Anderson, Minotauro e Wanderlei do MMA. Outra coisa: nas duas últimas disputas de cinturão no UFC, Vitor foi derrotado. Ídolo sem título? Difícil.

Minha maior aposta é Ronaldo “Jacaré” de Souza (na foto, ao lado do presidente do UFC, Dana White). O lutador deve ser escalado em breve para disputar o cinturão dos médios. Tem carisma e capacidade real de ser campeão, fato importantíssimo para a construção do mito.

E Lyoto Machida e Junior Cigano? A um (Cigano) falta retomar o cinturão, tarefa inglória desde que Cain Velasquez retomou o posto. E Lyoto segue a linha “low profile” de José Aldo. Mauricio Shogun caiu muito nos rankings e faz tempo que não é cotado para disputar o título dos meio-pesados. É o mesmo caso de Belfort: sem cinturão, fica complicado forjar a imagem de ídolo.



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.