Opinião: Pelé parece que não quer ajudar acabar com o racismo

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As recentes declarações de Pelé sobre o caso de racismo envolvendo o goleiro Aranha pegaram o mundo de surpresa. Negro, Pelé venceu muitas barreiras até chegar ao posto de Rei do Futebol e, como tal, tem importância suficiente para ajudar a acabar com o racismo neste esporte, mas parece que não quer.

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Pelé destacou que sofreu muitos casos de ofensas raciais vindas das arquibancadas no tempo em que era jogador. Segundo ele, ser chamado de macaco, por exemplo, era algo tão comum que se toda vez que isso ocorresse ele parasse o jogo, não teria conseguido disputar uma partida sequer.

O drama vivido por ele deve ter sido grande, mas hoje os tempos são outros. Pelé atuou em uma época em que a questão racial não era discutida como hoje em dia. Com menos de um século da abolição da escravatura, o Brasil dos tempos em que o Pelé jogava ainda via na cor de pele um fator de diferenciação social.

Hoje em dia, por mais desagradável que pareça, também é assim, porém, essa situação é discutida abertamente a fim de que ela não exista mais. Cotas raciais, por exemplo, existem para pôr fim a algumas diferenças resultantes da desigualdade racial do passado e, embora não sejam a solução para a igualdade, ao menos são um paliativo e um indicativo de que isso tem que acabar.

Por tudo que significa no futebol, uma palavra ou atitude de Pelé tem repercussões mundiais. Dessa vez não foi diferente. Apesar de toda punição que o Grêmio, em razão das atitudes racistas de parte de sua torcida, sofreu, Pelé, que é negro e foi jogador do Santos, prefere criticar a atitude do goleiro de seu ex-clube. Chamando de precipitada a reação de Aranha, o atleta do século se nega a pôr ao racismo no futebol.

Foto: Getty Images