PAIXÃO: uma só palavra, mas múltiplos impactos no futebol brasileiro

Corinthians

Uma palavra define bem o tipo de relação entre o brasileiro e o futebol: PAIXÃO. Arrebatadora, cega, irracional, como toda paixão.

O que a diferencia do conceito “catedrático”, nesse caso, é que a do brasileiro pelo futebol não é passageira. É por toda a vida. E qualquer um pode (e deve) tomá-la por certo, sempre.

Essa PAIXÃO é tão essencial na cultura do país que hoje muitos dos “temas quentes” relacionados ao momento do futebol nacional estão intimamente ligados a ela. Em uma pequena série de textos, exploremos como ela impacta alguns desses temas.

Profissionalização da gestão dos clubes e instituições

Está na história dos maiores e mais tradicionais clubes do Brasil: quase todos foram criados à partir da congregação dos interesses de pequenos grupos locais de “apaixonados” pelo esporte com o desejo de praticá-lo e competir uns contra os outros.

Cresceram sendo clubes e, como tais, sempre auto-geridos por seus membros e sócios, pois não havia a aspiração a ou a necessidade de estruturarem-se para operar em um mercado competitivo. Em outras palavras, não foram criados como empresas. Isso, até muito recentemente.

Hoje, esses clubes são parte de um business que movimenta anualmente mais de 20 bilhões de euros, segundo estimativas da AT Kearney, umas das grandes consultorias de gestão de negócios do mundo. Com esse montante em jogo, com tantos interesses envolvidos, é um grande risco confiar sua gestão a “abnegados”, pessoas pouco experientes ou pouco especialistas, características comuns a muitos de nossos tão caricatos “apaixonados” dirigentes e cartolas.

A PAIXÃO portanto não pode ser o atributo fundamental de quem toma decisões. Até porque ela é traiçoeira – é essencialmente emotiva, não racional. É tampouco descartável. Diria que é um necessário complemento à competência e ao expertise, afinal permite insights muito valiosos aos experienciam o mesmo que seus clientes.

O business tem a sua dinâmica, requer conhecimento e traquejo, fundamento e experiência. Para conduzir uma negociação com investidores, para estruturar “produtos” de marketing, para contratar profissionais e prestadores de serviços, para avaliar o valor de cada tomada de decisão – o leque de funções é amplo, requer não apenas competência, mas muitas competências e específicas. Usualmente, em empresas sadias, são delegadas a diferentes profissionais que as dominam.

Por isso é tão importante que o movimento de profissionalização da gestão dos clubes e instituições tome corpo. Não somente no futebol, mas a todos os esportes de alto desempenho. Mais razão, mais responsabilidade! Profissionais remunerados por sua competência e experiência, na mesma medida responsabilizados por seus atos. E se houver ainda a PAIXÃO por seu time-empregador, melhor ainda!

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Crédito da foto: Getty Images



Praticante de atividades físicas desde a infância, aprendi cedo os valores e os princípios que o esporte agrega na vida. A Engenharia e o Marketing me ajudaram a enxergar o "esporte" além da atividade prazerosa e da formação do caráter, mas como um "business".