Opinião: Resultado do Brasil na Davis é histórico, mas há muito a melhorar

O Brasil fez história no tênis mundial ao derrotar a Espanha por 3 a 1 retomar o posto no Grupo Mundial da Copa Davis, no domingo passado (14). O resultado tem, sim, de ser comemorado. Mas não dá para achar que está tudo certo no tênis brasileiro. Ainda há muito a melhorar.

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Para começar, o país precisa melhorar individualmente. Thomaz Bellucci, número 1 do Brasil, é apenas o 82º melhor do planeta. Em contrapartida, os dois melhores espanhóis, Rafael Nadal (número 2) e David Ferrer (5), não vieram a São Paulo participar do confronto. Mesmo assim, quem veio está melhor classificado do que Bellucci: Roberto Bautista Agut, derrotado pelo paulista no jogo derradeiro, é o 15º do planeta. Ou seja: se a Espanha mandasse a “tropa de elite”, a história poderia ter sido bem diferente.

O próximo rival dos brasileiros será a Argentina, fora de casa, entre 6 e 8 de março. Os “hermanos” têm como melhor atleta Juan Martín Del Potro, número 14 do ranking mundial. Leonardo Mayer (25º), Federico Delbonis (58º) e Carlos Berlocq (67º) são outros nomes que aparecem a frente de Bellucci na lista da Associação dos Tenistas Profissionais.

É claro que esses números não significam que os argentinos vencerão o Brasil. Prova disso é que a Espanha, mesmo com tenistas mais bem ranqueados, perdeu. O Brasil jogou com o coração, raça, empurrado pela torcida e fez valer a habilidade de seus jogadores. E o mesmo pode acontecer na Argentina.

O que o país precisa é, como em todas as modalidades, melhorar a formação de base e estimular a prática. Até hoje o tênis carrega no Brasil a imagem de esporte caro e elitista. Perde-se, aí, a oportunidade de descobrir e formar novos talentos.

O resultado na Copa Davis deve, sim, ser comemorado. Mas não dá para se empolgar.

 

Foto: Getty Images



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.