Pelé só criticou Aranha porque esqueceu como é que se joga

Aranha
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Vi a entrevista em que Pelé criticou a postura do goleiro Aranha, que pediu para que o jogo fosse parado ao sofrer ataques racistas. O “Rei do Futebol” disse que quanto mais se falar mais racismo vai haver. Disse ainda que o ideal seria não ligar para aquilo, e que no seu tempo, era chamado de macaco e simplesmente não ligava.

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Citou até o caso do jogador Daniel Alves, que comeu uma banana atirada a ele em um jogo do Campeonato Espanhol. Acho que o lateral não se calou naquela situação. Suas atitudes, mesmo que silenciosas, dizem muito. Portanto, não é o silêncio diante do preconceito que faz com que a situação mude, mas sim o tratamento que se dá ao ato praticado.

Várias batalhas são travadas todos os dias dentro e fora do futebol, para que o negro possa cada vez mais ir conquistando sua dignidade. O que seria do povo de Palmares se ao primeiro combate Zumbi dissesse: Quanto mais se brigar, mais escravos existirão.

Ou dos negros norte-americanos, caso Luther King declarasse: “Eu tenho um sonho, porém, quanto mais sonharmos, menos direitos teremos”.

Penso que Mandela teria morrido na prisão, se tivesse simplesmente aceitado o Apartheid.

Infelizmente – e digo isso com um pesar muito grande – o Rei negro que há anos atrás encantou o mundo com seus dribles e gols e ganhou três Copas do Mundo, o homem que fez guerras pararem e representantes de países inimigos se sentarem um ao lado do outro para assistir um jogo de futebol, esqueceu-se daquilo que mais fez em campo.

E usando como exemplo o time do Santos multi-campeão, com tantos negros como ele cita. Caso não houvessem lutado pelas vitórias, aceitando passivamente o jogo dos adversários, os títulos teriam vindo?

Ou seja, a frase: “Quanto menos jogarmos, mais títulos teremos”, é tão falha quanto a que ele usou para criticar a postura do goleiro Aranha, que se tivesse simplesmente aceitado, não teria trazido à tona uma discussão importantíssima, assim como Daniel Alves fez ao comer aquela banana. Cada um reagiu de um jeito, mas reagiu e em casos como este isso é o que importa.

Foto: Reprodução

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