Análise do reinício da Era Dunga na seleção

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A segunda passagem de Dunga pela Seleção Brasileira começou bem. Depois de ter vencido a forte Colômbia por 1 a 0, na última sexta-feira, em Miami, a equipe brasileira repetiu o placar contra o bom Equador, na noite dessa terça-feira, em Nova Jersey, nos Estados Unidos.

As atuações não foram brilhantes, mas já deu para notar evolução em relação ao time comandado por Felipão na última Copa do Mundo. O Brasil tratou a bola com maior carinho e apresentou melhor repertório de jogadas. Contra o Equador, o gol da vitória saiu em jogada ensaiada de bola parada. Neymar recebeu de Oscar e enfiou na medida para William tocar na saída do goleiro Domínguez. Com o antigo treinador, esse tipo de lance não era visto.

Jogadores que não disputaram a última Copa do Mundo se saíram muito bem nos primeiros testes de Dunga, casos dos zagueiros Miranda e Marquinhos, do lateral-esquerdo Filipe Luís e do atacante Diego Tardelli.

Muita coisa ainda precisa melhorar. Sinto falta de criatividade no meio de campo. Oscar e Willian não são armadores e sim meia-atacantes. O Brasil necessita daquele jogador que consegue quebrar a forte marcação com passes açucarados para os atacantes. Paulo Henrique Ganso, o único meio-campista diferenciado do futebol brasileiro, tem feito isso pelo São Paulo e se continuar nessa toada merece convocação para os próximos amistosos contra a Argentina, no dia 11 de novembro, em Pequim e contra o Japão, três dias depois, em Cingapura.

A carência maior é na lateral-direita. O veterano Maicon teve atuação razoável contra a Colômbia. No último domingo foi cortado por Dunga por supostamente ter chegado atrasado a concentração após algumas horas de folga. Ninguém da comissão técnica confirma se esse foi o real motivo para o corte. Dificilmente Maicon voltará a vestir a amarelinha. Danilo iniciou como titular contra os equatorianos, porém não foi bem. Participou pouco do apoio e teve problemas defensivos sobretudo no segundo tempo.

O jovem Fabinho, do Monaco, convocado para a vaga de Maicon, esteve no banco. Confesso que jamais vi esse lateral atuar. Portanto não posso opinar sobre o seu possível aproveitamento no futuro. Gostaria de ver Rafael, do Manchester United, e Rafinha, do Bayern de Munique, de volta. Ambos têm boa presença ofensiva e não comprometem na marcação. De qualquer forma há entressafra de grandes laterais brasileiros. E esse problema não é de hoje.

Gostei do ataque brasileiro. Nos dois amistosos, Dunga adotou uma formação sem centroavante fixo. Embora não tenha tido bom desempenho nas finalizações, Diego Tardelli deu maior dinâmica ao setor. Neymar dispensa comentários. O novo capitão continua sendo a maior esperança de gols. Deixou a sua marca contra a Colômbia em bela cobrança de falta e deu assistência para Willian anotar o gol contra o Equador.

A tendência é que o Brasil cresça mais nos próximos amistosos. É importante ter um grupo forte para a disputa das Eliminatórias da Copa a partir de 2015. Argentina, Colômbia, Chile, Uruguai e Equador serão ossos duros de roer. A classificação ao Mundial da Rússia em 2018 não será simples como muitos imaginam.

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Rafael Alaby é jornalista diplomado pela FIAM (Faculdades Integradas Alcântara Machado), com passagens pela Chefia de Reportagem de Esportes, da TV Bandeirantes, em São Paulo e site KiGOL. Pós-graduado em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte (FMU)