Opinião: O Inter arriscou, e agora corre risco

O Internacional não vence o Campeonato Brasileiro desde 1979. De lá pra cá, o Inter conquistou todos os torneios possíveis, inclusive duas Libertadores e um Mundial nos últimos oito anos. Tornou-se o legítimo “campeão de tudo”, mas a seca no principal torneio nacional, salvo uma reviravolta homérica, aumentará mais um ano quando 2014 acabar. A obsessão é cada vez maior.

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Para o grande objetivo desta temporada, o Inter abriu mão da Copa do Brasil. É bem verdade que a derrota para o Ceará na partida de ida, em casa, não fazia parte dos planos. Na volta, em função das circunstâncias naquele momento, Abel Braga preferiu poupar alguns atletas na viagem para Fortaleza, onde foi eliminado. O “prêmio” para os desclassificados é a presença na Sul-Americana. Coisas de um bizarro regulamento. Nela, pouca disposição e nova queda, desta vez para o Bahia.

Na lógica colorada, o caminho estava livre para se dedicar somente em dar fim ao jejum de 35 anos. No entanto, o time que há menos de um mês estava só a dois pontos do líder Cruzeiro viu a diferença aumentar para 12 e tem sua vaga no G-4 ameaçada. Nas últimas cinco rodadas, apenas uma vitória, e se forem contabilizados também os jogos pela Sul-Americana, um triunfo em sete pelejas. Entre esses números, três derrotas nas últimas três aparições em Porto Alegre.

Agora, a esperança de ser campeão brasileiro deu lugar a protestos contra jogadores, Abel e diretoria. O Internacional está na quarta posição, o Grêmio vem logo atrás com a mesma pontuação, perdendo apenas nos critérios de desempate. Fluminense, Sport e Atlético-MG também embolam a briga.

Ainda restam 18 rodadas e o colorado tem amplas condições de se recuperar. A questão é como encarar a turbulência, sobretudo por causa da recente fama de, com elencos bons e caros, criar expectativas e morrer na praia.

O Inter arriscou, e agora corre risco.

Terá valido à pena?

Foto: Getty Images



Estudante de jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie e alucinado por futebol.