NBA e Atlanta Hawks: Uma relação de negligentes

“O racismo continua e ninguém toma uma atitude!”. Essa frase poderia ser facilmente ouvida ou proferida em solo brasileiro, após o caso recente do goleiro Aranha, ou outros que vimos ainda esse ano com Tinga, Daniel Alves, entre outros. Porém, parece que o espírito de impunidade ou até mesmo de “conflito de interesses” contagiou o esporte americano, mais precisamente a NBA.

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O caso do ex-proprietário do Los Angeles Clippers, Donald Sterling, banido pela organização de basquete norte-americano após injúrias raciais dirigidas aos torcedores negros da franquia, parecia uma ilha de sanidade em meio ao mar de caos e negligência costumeira sobre o assunto. Porém, meses depois, a NBA vem perdendo seguidas chances de resolver um outro problema parecido, dessa vez no Atlanta Hawks.

Seguidas situações problemáticas onde o racismo é o principal problema vem surgindo nos últimos tempos pelos lados da Geórgia, algumas delas acontecendo há mais de DOIS ANOS sem algum tipo de punição mais severa.

Bruce Levenson e Danny Ferry, empresários que integravam o corpo diretivo e com decisões ativas na franquia, já foram acusados por casos de ofensa racial até mais graves do que os relatados comumente, mas somente um deles (Levenson) pagou o pato. Isso por iniciativa unicamente dele em abrir mão de seus encargos.

Porém o ponto não é esse. O ponto é que o ato ainda passa longe da imagem pacífica do presidente da franquia, Steve Koonin. Mas não deveria.

Tudo bem que Steve assumiu o posto em Abril, pode se pensar que ele seja eximido de alguma responsabilidade de atos com origens passadas. Mas o que realmente preocupa é a sua omissão com relação a ambos os casos, não demonstrando uma firmeza que se espera de um CEO de franquia da NBA.

Com Bruce, Koonin apenas comentou na oportunidade em que líderes cíveis da cidade de Atlanta solicitaram uma reunião com a cúpula dos Hawks. Com Danny, circula na imprensa norte-americana de que ele estuda não puni-lo.

Atos dessa natureza, ou justamente a falta de atos, exige uma intervenção semelhante a do comissário da NBA, Adam Silver, quando da venda dos Clippers. Se Koonin é o CEO e está sendo omisso, “forte abraço e faça o favor de se retirar”.

Não há mais espaço para qualquer tipo de atitudes dessa natureza, seja no esporte ou em qualquer outra área da sociedade. Se não for tão fácil Silver analisar o lado humanitário da questão, que analise os negócios. Afinal, isso só suja a imagem da NBA. Como se as atitudes em si já não fossem “sujas” o suficiente.

 

Foto: Getty Images



Jornalista formado em 2012 pela FIAM e que tem paixão por esportes, destacando-se Futebol, MMA, Basquete e Automobilismo. Foi editor e repórter do Universo dos Sports.