Mistérios do esporte: futebol e boxe olímpicos x futebol e boxe profissional

O que o futebol tem de especial tem de misterioso em certos casos. Em algumas modalidades, acontecem algumas divergências competitivas. É o caso do futebol e o boxe. Embora sejam completamente diferentes entre si, há algo em comum entre elas: as duas “desprezam” os Jogos Olímpicos.

Enquanto para o vôlei, o basquete, o handebol, a ginástica e uma penca de modalidades a Olimpíada é o ápice, para jogadores de futebol e pugilistas os Jogos não são nada demais. A seleção brasileira de futebol nunca conquistou uma medalha de ouro. Floyd Mayweather, um dos maiores boxeadores da atualidade e invicto em lutas profissionais, tem uma medalha de bronze conquistada nos Jogos de Atlanta, em 1996. O fato é lembrado por desdém por “Money”, atleta mais bem pago na atualidade.

Mas por que há o desprezo entre as duas modalidades pela Olimpíada? Pelo simples fato de serem, na essência, diferentes entre suas competições fora do ciclo olímpico. Comecemos pelo futebol. Enquanto nas Copas do Mundo e nas diversas competições continentais como Copa América e Eurocopa não há restrições de idade, nos Jogos há a exigência de equipes compostas por atletas com até 23 anos. Isso é um limitador para treinadores, que podem convocar apenas três jogadores acima dessa faixa etária. Sem um trabalho de base, como nunca aconteceu no Brasil, nunca houve brilho nessa modalidade olímpica para o Brasil.

No feminino não há o limitador de idade, o que também deveria acontecer para o masculino.  Só assim, acredito, a competição seria valorizada.

Detalhe sem importância: os escudos das confederações são vetados. Por isso, a seleção brasileira disputou os Jogos de Londres, em 2012, com uma bandeira do Brasil no peito no lugar tradicionalmente ocupado pelo escudo da CBF.

No boxe, as diferenças são visuais até. Diferentemente dos profissionais, que lutam sem camisetas e sem proteções na cabeça, nos Jogos os pugilistas lutam de camisetas e capacetes. Ou seja: menos impacto e menos sangue. Para um esporte que basicamente vive disso…

Mas, diferentemente do futebol, o regulamento olímpico está mudando: o capacete será retirado na categoria masculina a partir da edição de 2016, no Rio de Janeiro. E a contagem de pontos será mais próxima do que acontece nas lutas profissionais: em vez de os pontos serem computados pelo número de golpes atingidos (como acontece hoje nas Olimpíadas),  as pontuações serão dadas por round no sistema de 10 pontos (o vencedor do round recebe 10 pontos, enquanto o perdedor recebe 9 ou 8, dependendo do desempenho).

Isso pode aproximar um pouco mais o boxe olímpico do profissional. O ideal seria, caso haja interesse, os profissionais lutarem nos Jogos. Isso tiraria a eterna aura de amador do boxe olímpico.



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.