Inter pode ter outro coadjuvante que vira protagonista; entenda

No último domingo, quem olhou para o gramado do Beira-Rio e viu um jogador loiro e mais branco do que a maioria em campo, talvez tenha ficado sem entender. Tudo bem que no Sul a incidência de pessoas com essas características é maior do que no resto do país, mas esse, em especial, nem o nome é muito conhecido no Inter.

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Eduardo Sasha, 22 anos, gaúcho de nascimento, revelado pelo Inter mas vindo a ter destaque no Goiás nas duas últimas temporadas, era o nome e histórico dele. Aos 13 minutos do segundo tempo, tornou-se conhecido de todos, ao marcar o segundo gol da vitória colorada sobre o Botafogo, ajudando a quebrar o jejum de duas derrotas consecutivas no campeonato.

Passou de o Famoso quem? ao salvador momentâneo da pátria em menos de 90 minutos em campo. Agora já fala em se firmar no time, agradece a confiança do treinador, quer uma seqüência de jogos para mostrar seu valor, enfim, todo aquele discurso padrão de jogador de futebol, que não é novidade para ninguém.

Outra coisa que também não é novidade, é a capacidade que o Inter tem fazer atletas coadjuvantes virarem protagonistas ocasionais. Aconteceu com Giuliano, Leandro Damião, Alexandre Pato e Adriado Gabiru, só para citar os mais recentes e decisivos.

Giuliano – O talismã

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Giuliano era, até entrar nos jogos da Libertadores de 2010 e fazer gols importantes que ajudaram na conquista do bi-campeonato colorado, apenas um garoto, vindo das categorias de base e, assim como qualquer garoto, cheio de vontade de mostrar seu valor. Depois da participação decisiva no torneio continental, contudo, virou o talismã da equipe e, de gol em gol, virou ídolo. Não é para menos.

Leandro Damião – O predestinado

Internacional v Fluminense - Brazilian Series A 2013

Leandro Damião apareceu no mesmo ano que Giuliano, porém, “apenas” no principal momento do time na competição: no segundo jogo da final contra o Chivas Guadalarajara. Também bastante jovem (não tanto quando Giuliano) e vindo, literalmente, do nada, o centroavante entrou no segundo tempo do jogo final enquanto o time perdia e foi extremamente decisivo na virada e conquista do caneco.

Dali em diante, o reconhecimento foi inevitável e a guinada na carreira meteórica. Foi convocado para a seleção diversas vezes e chegou bem próximo de disputar a Copa. Quem diria isso de um cara que até poucos anos antes jogava futebol nos campos de várzea de São Paulo? Isso mesmo, Leandro Damião foi descoberto nos campos de várzea, onde defendia um tradicional time (de várzea, óbvio) da zona sul da capital paulista e chegou ao futebol profissional já um pouco tarde, em comparação com a maioria. Mais coadjuvante que isso, quase impossível.

Adriano Gabiru – O amavelmente odiável

FIFA Club World Cup - Sport Club Internacional v FC Barcelona: Final

Só não é possível afirmar que é realmente impossível, porque um dia existiu Adriano Gabiru. Pouco querido da torcida colorada, o jogador, já ligeiramente veterano quando atuou pelo Inter, fez, simplesmente, o gol mais importante da história do clube até hoje. Aos 38 minutos do segundo tempo, após receber lindo passe de Iarley, tocou pro gol do poderoso Barcelona a bola que deu o título do Mundial de Clubes ao Inter.

Na época jogavam no time espanhol Ronaldinho Gaúcho (no auge da carreira), Deco e Eto’o. Isso sem contar Puyol e Pique, dois zagueiros de seleção e mais todos os outros jogadores, a maioria esmagadora com presença constante nas seleções de seus países.

Mais improvável que a vitória do Inter, somente o autor do gol. Gabiru nunca foi bem quisto pela nação vermelha do Rio Grande e, mesmo depois do feito, não passou a ser. Não são muito claros os motivos do desdém da torcida por ele, mas esse é o caso mais emblemático, pelo menos da história recente, dessa característica que o time gaúcho tem de tornar jogadores fadados ao anonimato em estrelas ocasionais de primeiro escalão.

Alexandre Pato – O garoto de ouro

FIFA Club World Cup - Sport Club Internacional v Ahly Sporting Club

Outro que esteve no mesmo contexto de Adriano Gabiru e em poucos minutos passou de um ilustre desconhecido para o principal jogador do país, foi Alexandre Pato. O caso de Pato é assustador, de tão, digamos, esquisito.

Ninguém (repito: ninguém) havia ouvido sequer falar do nome de Alexandre Pato ao longo de 2006. Nem mesmo aqueles mais aficionados por futebol, que assistem todos os campeonatos do universo, sabiam da existência de Alexandre Pato.

Não é para menos, afinal, soube-se depois que a diretoria do Inter blindou o até então jovem Alexandre Pato para que fosse lançado no futebol no momento certo. E esse momento certo, para eles, era a fase final do Brasileiro e o Mundial de Clubes. Uma aposta bastante ousada e, acima de tudo, arriscada, mas que deu muito certo.

Na primeira partida de Alexandre Pato pelos profissionais do Inter, ele esmerilhou o Palmeiras, em pleno Parque Antártica. Depois, já no Mundial, foi o autor do gol que colocou o Inter na final, contra o Barça. De cabeça, o garoto subiu entre os zagueiros do Al Ahly e colocou a bola no fundo do gol.

A despeito do tento, o jovem jogador teve atuação bastante destacada, ajudando a criar outras jogadas interessantes e até a marcar. Na final, também representou bem a camisa colorada. Já no ano seguinte, bastaram alguns meses para que fosse vendido ao Milan, onde ficou até o fim de 2012 e freqüentou convocações da seleção brasileira com assiduidade.

Outros exemplos

Nessa linhagem especial também podem entrar Rafael Sóbis, Taison, Maicon Librelato (que salvou o time do rebaixamento em 2002 e faleceu dias depois em um acidente automobilístico) e até treinadores, como Celso Roth, que conseguiu colocar no currículo a “conquista” de uma Libertadores, tendo assumido o time já na semifinal do torneio e com todo o trabalho já feito por Jorge Fossatti, demitido inexplicavelmente após o time classificar-se heroicamente contra o Estudiantes-ARG.

Pode ser coisa do destino uma coisa dessas, porque, definitivamente, não é comum acontecer tantos casos iguais em um mesmo clube. Analisando sob este prisma, Eduardo Sasha já está no lugar certo.

Se ele for mesmo um cara de sorte, basta esperar pela hora certa e correr para a glória.

Fotos: Getty Images



Tudo o que preciso é um papel e uma caneta. Apaixonado por esportes desde 1900 e bolinha: de futebol, basquete, tênis, rugby...