Inter perde a segunda consecutiva, sai do G4 e entra no inferno astral

Internacional

Não foi por falta de aviso, mas o Inter jamais deveria ter menosprezado a Copa do Brasil. Ali, quando resolveu tirar o pé e priorizar outra competição, perdeu a pompa de time campeão, aquela pegada que mantém a concentração de um grupo e o credencia, cada vez mais, a conseguir objetivos grandiosos em uma temporada.

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É inegável que, depois da eliminação para o Ceará, o Inter se perdeu. Ao não saber administrar a pressão de sair de uma competição do porte de uma Copa do Brasil para um time que, por mais que estivesse na época jogando muito bem, é pequeno, se desorientou em uma mistura de orgulho ferido com falta de capacidade de assimilar se aquilo tudo foi de propósito ou não.

Abel sempre deixou claro, ao escalar times mistos contra Ceará e depois Bahia (já na Sul-Americana), que seu objetivo era conquistar o Brasileirão. Até mesmo as declarações que deu após as eliminações acima citadas levaram a crer que ele, de fato, abriu mão de tudo em busca de quebrar o incômodo tabu de 34 anos sem levantar a taça do principal campeonato nacional do país que o Inter carrega.

Porém, após os ataques particulares a setoristas que cobrem a equipe e as duas entrevistas que deu, uma para o ESPN Brasil e outra para o Globo Esporte.com, atacando todos os seus críticos, demonstraram um treinador talvez um pouco incomodado com as decisões que ele mesmo tomou e acossado pela reação da imprensa com os desdobramentos subsequentes.

O fato é que o Inter passou de um dos favoritos de todas as competições vigentes no semestre, para o cavalo paraguaio de todas elas. A derrota para o Vitória, ontem, em Salvador, não somente foi a segunda consecutiva para times que brigarão para não cair, como tirou a equipe do G4. E quem entrou foi nada mais, nada menos, que seu maior rival, que até pouco tempo atrás estava em crise.

Longe de uma atuação apática, o Inter pressionou bastante o adversário em busca dos gols. Porém, o primeiro gol dos baianos, marcado por Richarlyson de falta após uma falha grotesca de Dida, fez um mal danado à confiança colorada.

Dali em diante o Inter foi pra cima no estilo “bumba-meu-boi”, ou seja, mais na base da vontade, do que da organização. Criou muitas oportunidades, é verdade, mas a falta de pontaria e de capricho atrapalharam. Sem contar, claro, decisões equivocadas na hora de finalizar as jogadas e um pouco de hesitação e preciosismo, que fizeram a equipe desperdiçar boas chances.

No final, quando sofreu o segundo, a equipe pouco pôde fazer, apesar de ter tentado diminuir o prejuízo até o último segundo. É a quarta derrota do Inter nos últimos cinco jogos.

No futebol não se pode, definitivamente, dar sopa para o azar. Uma vez que ele chega, e difícil fazer ir embora.

Foto: Getty Images



Tudo o que preciso é um papel e uma caneta. Apaixonado por esportes desde 1900 e bolinha: de futebol, basquete, tênis, rugby...