A seleção brasileira jogou na cama de Frankenstein

seleção

Aí você fica até dez da noite para ver a seleção. Dois motivos. Observar a defesa, com cinco nomes novos Jefferson, Danilo, Marquinhos, Miranda e Filipe Luis. E sentir como entraria o time em campo depois do furacão Maicon/Elias. O time ficaria afetado pelas bobagens ditas na Internet? Nem uma coisa, nem outra. O campo de jogo roubou a cena.

Leia mais:
Neymar perde gol INCRÍVEL e até Galvão faz piada; veja
Brasil x Colômbia: veja o golaço de Neymar
Brasil x Equador: veja o gol de Willian

Por cima da grama sintética onde se joga o futebol americano, colocaram grama natural. Placas e mais placas. Uma costura imaginária, de forma que o campo ficou conhecido com cama do Frankenstein. Uma merda, se me entende o amigo.

A bola não quicava, corria pouco e o jogo ficou lento. Os passes saiam mas nem sempre chegavam. Na hora da conclusão, erros e mais erros. O Neymar perdeu dois gols feitos. Um da entrada da área, a bola foi para o espaço. E outro debaixo da trave. A bola bateu nela. Ele errou? Acho que não. O campo atrapalhou.E muito.

É, mas o campo era para os dois times, ou seleções. Mas eu não estou nem aí para o adversário. Então de quem é a culpa por Dunga não ter podido fazer melhor suas avaliações? Não ter visto suas jogadas ensaiadas darem certo – a não ser na hora do gol – e de alguns jogadores caírem em campo por que a chuteira prendia na grama, ou escorregava?

O dono real do amistoso, esse é o que lava a culpa, o que vai para o purgatório. A empresa que comprou os jogos da seleção e passou a vender para quem desse mais. Mascates da bola. Virou um produto, o sonho maior de todos os brasileiros. Virou lata de sardinha, tênis, carro ou qualquer outro produto que se vende em todos os veículos de mídia. Não são somente jogadores, são pedaços de algo que se vende.

Uma pena, mas é real. Como diria Zenon, o resto é balela.

Foto: Getty Images



Luiz Ceará é formado em Jornalismo pela PUCC-Campinas. Iniciou a carreira na Radio Cultura de Campinas e depois EPTV, filiada à Rede Globo. Trabalhou na TV Globo - SP, SBT, TV Século 21, TV Bandeirantes e RedeTV!, onde é repórter e comentarista. Participou da cobertura de 4 Copas de 3 Olimpíadas.