Cinco anos depois, São Paulo tem um time para sonhar

Não é pela vitória sobre o líder. Não é pela aproximação da liderança. Não é pela empolgação por uma sequência de boas vitórias. Não é pelo Morumbi lotado que irradiava alegria. É por um simples motivo: enfim, temos um time novamente. São Paulo tem um time pra sonhar.

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Um time que não se resume apenas à garra de Aloísio Voadora e cia na recuperação de 2013. Um time que não é totalmente dependente de um jogador, como Lucas e cia, em 2012. Muito menos sonolento como o time de 2011 e previsível como o de 2010.

No mínimo, um time para brigar por tudo que disputar, como fez até 2009, após mandarmos no futebol brasileiro desde 2005.

Quem foi ao Morumbi neste domingo pôde sentir na pele algo que não sentia há anos: extrema confiança naquele time de branco, com listras vermelha e preta.

A verdade é que muitas vezes nos deixamos levar pela adoração ao time para acreditar no impossível. Ou essa adoração nos faz cegos perante a realidade. E assim, acreditamos na camisa, na história… no milagre, para triunfar. E, resumindo de forma generalista, assim foram nossos últimos cinco anos.

Isso não se aplica a este último mês vivido pelo torcedor tricolor. Após um começo de campeonato instável e incerto, culminado pela eliminação da Copa do Brasil diante do Bragantino, a equipe reconheceu que precisava se doar mais caso quisesse almejar algo e deixar de ser figurante para protagonizar. E desde lá, tudo mudou.

Mais uma vez, o São Paulo atuou de forma segura e convincente. Os pouco mais de 58 mil pagantes no Morumbi chegaram empolgados, assistiram ao jogo confiantes e foram embora sorridentes.

Sao Paulo v Cruzeiro - Brasileirao Series A 2014

Seja pela garra, pela entrega, pela vontade, pela qualidade técnica, pelo espírito de grupo, pela união ou simplesmente pela vitória, era contagiante o sorriso estampado no rosto de todos os torcedores.

Frases como: “Tá dando gosto de ver” eram corriqueiras na saída do estádio. E é verdade. Tá dando gosto de ver. Futebol bonito aliado a muita disposição. Não tem como não aplaudir esta combinação.

Mais do que isso, o grande destaque do jogo foi novamente ele, o coletivo. Todos foram os melhores em campo. Do gigante M1to ao pequeno moleque Auro, que chegou para fechar o time. De Álvaro e os volantes ao quadrado mágico 100% de aproveitamento. Menção honrosa ao tantas vezes criticado (por mim, inúmeras) Edson Silva: melhor jogo de sua carreira no São Paulo.

Voltamos àquela época em que a ansiedade pelo próximo jogo era quase que insuportável. Chega logo, quarta! Para o jogo de domingo, então, mais ainda. Chega logo, domingo!

E esse time tá ganhando cada vez mais cara de pôster no final do ano. Com os pés no chão, voltamos a sonhar…

Foto: Getty Images



Redator publicitário e editorial, colunista no site Por Baixo das Pernas e depoente no filme Soberano 2. Acredita que mulher, cerveja e futebol são os propósitos da vida.