10 erros que Paulo Nobre já cometeu no comando do Palmeiras

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O Palmeiras venceu o Criciúma e respirou no Campeonato Brasileiro. A chegada do técnico Dorival Júnior parece ter dado novos ares ao clube, que não engrenou sob comando do argentino Ricardo Gareca. Mesmo assim, o clube vive um momento pré-eleitoral e tudo o que foi feito pela atual direção estará sob análise. Por isso, o Torcedores.com lista agora 10 erros cruciais cometidos pelo presidente do clube, Paulo Nobre, nesses quase dois anos de gestão.

Paulo Nobre assumiu o Palmeiras com um discurso que prometia renovação. O time havia sido rebaixado para a Série B e campeão da Copa do Brasil no mesmo ano, 2012, o último da gestão desastrosa de Arnaldo Tirone. O novo presidente trouxe um velho conhecido da torcida para gerenciar o futebol, José Carlos Brunoro, diretor da parceria Palmeiras-Parmalat nos anos 1990.

O resultado prático até aqui foi o título apenas da Série B, dois Estaduais desperdiçados contra times pequenos, duas Copas do Brasil com campanhas nulas, uma Libertadores disputada sem grandes pretensões, contratações que não deram certo, trocas questionadas pela torcida, brigas com a construtora do Allianz Parque, entre outras marcas dessa gestão.

Claro que há que se ressaltar também os pontos que podem ser considerados como positivos, como o discurso diferenciado em relação a outros dirigentes que aponta as torcidas organizadas como origem de muitos dos problemas enfrentados pelo clube, como os jogos no interior causados por atos de vandalismo e violência dentro dos estádios. A modernização financeira também é uma realidade que poderá ser notada em alguns anos.

Mas o fato é que Nobre não conseguiu dar uma nova cara ao clube. Parecia estar no caminho certo quando contratou um argentino mesmo com todo o preconceito existente no futebol brasileiro para comandar a equipe. Esse fator, aliás, ainda pode ser uma explicação para o fracasso de Gareca. Mas, quando decidiu demiti-lo após contratar vários jogadores estrangeiros pedidos pelo treinador, sem pensar em planejamento, Nobre mostrou que é mais do mesmo.

1) Mais passado

Diretorias anteriores cansaram de errar ao tomar medidas “populares”, invocando o passado glorioso do Palmeiras. As segundas passagens de Valdivia, Kleber Gladiador, Felipão, entre outros, são o maior exemplo disso. Nobre não repatriou nenhum ídolo, mas tentou jogar para a torcida ao trazer de volta Brunoro para gerenciar o futebol. Parece claro que, sem a Parmalat, ele não funciona.

2) Caso Barcos

O Palmeiras perdeu sua principal referência no ataque e “ganhou” de presente várias peças que o Grêmio não aguentava mais. Rondinelly e Leo Gago são exemplos do tapa na cara levado pelo torcedor palmeirense com essa negociação desastrosa. O atacante Leandro, enquanto esteve emprestado pelo time gaúcho e jogando na Série B, encheu os olhos da torcida. Bastou ser contratado por um valor bem alto e o futebol acabou. Um vexame.

3) Caso Alan Kardec

Nobre acertou ao não pagar o que o São Paulo queria pagar. Perder o jogador para o rival não é algo tão dramático, nem inédito assim. Mas o clube não deveria ter participado desse leilão. Se o Tricolor pagaria mesmo uma quantia considerada tão absurda pelo Verdão, que não fosse feito tanta novela, que no fim só serviu para envergonhar ainda mais a torcida. Todo esse espetáculo deu ares de vitória aos são-paulinos. E, ainda por cima, o presidente palmeirense fez discurso de típico de parte traída no casal ao acusar e cortar relações com o rival por causa do negócio.

4) Marketing

Alguém aí se lembra do último patrocinador fixo do Palmeiras? É, foi a Kia, até o começo de 2013. A montadora aproveitou o rebaixamento do clube e zarpou. Depois disso, nenhuma outra empresa colocou sua marca com contrato master na camisa do Verdão. O clube aproveitou para anunciar produtos como a TV Palmeiras e o Sócio Avanti. Ações que geraram bizarrices como um distintivo do Palmeiras embaixo do outro.

5) Ricardo Gareca

Você pode ter a opinião que quiser nesse tópico. O fato é que Nobre errou. Ou ele errou na escolha de um argentino que nem era tão vencedor assim, ou errou ao não permitir a continuidade do trabalho. Para quem disser que a demissão foi necessária antes que o time afundasse de vez no Brasileiro, fica mais uma sequela do erro: vários jogadores foram contratados a pedido de Gareca e agora estão na conta do clube.

6) Planejamento nulo

Treinador chega, faz lista de contratações, clube contrata, treinador é demitido, clube fica com os jogadores, clube contrata outro treinador, treinador chega, faz lista de contratações, clube contrata, treinador é demitido, clube fica com os jogadores… Até quando?

7) Discurso muda ao sabor dos ventos

A demissão de Gilson Kleina poderia ter acontecido em vários momentos de 2013. A goleada por 6 a 2 para o Mirassol era um deles. Mas o treinador conseguiu fazer o Palmeiras ser campeão da Série B com tranquilidade. O discurso era de continuidade, planejamento. Contratado do treinador renovado. Título paulista perdido, resultados ridículos, treinador demitido com contrato e multa novinhos. Cadê a continuidade e planejamento? O mesmo aconteceu com Gareca.

8) Briga com a WTorre

Não importa quem esteja certo. O foco aqui é que essa briga está atrasando a entrega do Allianz Parque. O caso poderia se desenrolar mais rápido, bem como a diretoria palmeirense poderia ser mais clara quanto à questão que envolve os direitos sobre determinadas cadeiras do estádio. Mas o torcedor quer logo voltar para casa, pois não aguenta mais ser um time nômade.

9) Falta de referência

Hoje a torcida não tem um jogador para depositar sua fé. Barcos e Alan Kardec se foram. Marcos está aposentado. Valdivia sempre machucado. Nobre não foi capaz de dar ao torcedor palmeirense um nome em quem confiar. E lá se vão quase dois anos…

10) Centenário

O Centenário do Palmeiras tinha tudo para ser de muita festa. O título paulista era possível, a inauguração do novo estádio era possível. Mas nada disso aconteceu. As comemorações organizadas pelo clube, como a Taça Oberdan Cattani, foram muito bonitas, mas o clube precisava de uma festa atual para ajudar a empolgar o torcedor. O que vimos foi mais uma vez o time recorrer ao passado do Mundial de 1951 para ter o que comemorar em agosto. Sem falar nos preços altíssimos dos itens de centenário do clube. Quem colocou os valores nas camisas e outros itens comemorativos deve achar que a torcida está disposta a vender órgãos para pagá-los.



Editor do Torcedores.com, está no site desde julho de 2014. Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, já passou por UOL, Editora Abril e Rede Record. Participou da cobertura da Copa do Mundo de 2014, de dois Pans, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e do Rio 2016. Também colabora com o ONDDA, site "irmão" do Torcedores.com.